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Quem é o principal suspeito da morte de Jo Cox?

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Christopher Furlong/GETTY

O britânico Thomas Mair é o presumível autor do assassinato de Jo Cox, deputada do Partido Trabalhista. É descrito pelos vizinhos como um homem reservado e educado, que prestava trabalho voluntário e que adorava jardinagem. Mas aparentemente também era defensor de ideais neonazis

Thomas Mair, de 52 anos, é apontado como o principal suspeito da morte da deputada do Partido Trabalhista Jo Cox, que não resistiu aos ferimentos após ter sido esfaqueada e baleada na quinta-feira em Birstall. O presumível homicida foi criado pela avó materna e há 20 anos que vivia sozinho numa casa situada próximo do local do crime. Nunca foi casado ou teve filhos. E há vários anos que não tinha sequer namorada, segundo a família.

Um dos irmãos manifestou-se surpreendido, contudo, com as notícias, garantindo que Thomas nunca partilhou opiniões racistas. “Não posso acreditar que ele fez algo assim. (...) É certo que tem um histórico de doença mental, mas já teve ajuda. Nunca foi violento e é um filho devoto que fazia as compras à mãe duas vezes por semana e que a visitava todas as quartas-feiras à noite”, afirmou ao “Guardian” Duane St Louis, de 41 anos. A mãe também se manifestou “chocada” com as acusações.

Alguns vizinhos ouvidos pela “CNN” descrevem Thomas Mair como um homem reservado, sereno e educado, que prestava trabalho voluntário numa associação de pessoas com problemas mentais e que estava sempre disposto a ajudar as pessoas à sua volta nos trabalhos de jardinagem. “Ele era um indivíduo amigável. Se lhe dizias olá, ele respondia. Era alguém que ajudava os outros e não os magoava”, relatou um vizinha ao “Guardian”.

Numa entrevista dada pelo jardineiro há cinco anos, Thomas falou sobre o prazer de fazer trabalho voluntário. “Posso dizer honestamente que me tornou melhor do que a psicoterapia e toda a medicação do mundo. Muitas pessoas que sofrem de problemas mentais estão isoladas e desligadas da sociedade e têm sentimentos de inutilidade. Todos estes problemas são aliviados com o trabalho voluntário, que oferece uma terapêutica alternativa e socialmente positiva”, afirmou o britânico na altura.

Tudo indica que Thomas era também defensor de ideais neonazis. Segundo a Southern Poverty Law Centre, o suspeito da morte da deputada britânica adquiriu muitas publicações da Aliança Nacional, uma organização supremacista branca dos EUA, tendo subscrito a assinatura de uma revista pró-apartheid na década de 80. Há recibos que mostram ainda que Thomas comprou um manual sobre como construir uma arma em casa.

Na quinta-feira, Jo Cox foi esfaqueada e baleada quando saía da biblioteca de Birstall e segundo testemunhas, o atacante gritou “Grã-Bretanha primeiro, Grã-Bretanha primeiro”. A deputada trabalhista era defensora da manutenção do Reino Unido na União Europeia. Entretanto, a campanha do referendo foi suspensa.