Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Bill Gates avisa que Reino Unido será “muito menos atrativo” se sair da UE

  • 333

Bill Gates volta a liderar a lista dos mais ricos do mundo

EPA/JEAN-CHRISTOPHE BOTT

Se o cenário Brexit se concretizar no referendo da próxima semana e manchado esta quinta-feira pelo homicídio a sangue-frio de uma deputada pró-Europa, “será mais difícil encontrar e recrutar os melhores talentos em todo o continente, talentos esses que criam emprego para as pessoas do Reino Unido”, diz o fundador da Microsoft

O fundador da Microsoft deixou um aviso esta sexta-feira de que uma vitória do Brexit no referendo britânico da próxima semana vai tornar o país "significativamente menos atrativo para empresários e investidores".

A entrada em cena de Bill Gates, o homem mais rico do mundo e que já investiu mais de mil milhões de dólares no Reino Unido, na consulta popular de 23 de junho sobre o futuro do país dentro ou fora da União Europeia, acontece após uma semana de várias sondagens a preverem a vitória do Brexit – a última das quais, publicada esta quinta-feira, a dar um avanço de seis pontos percentuais aos que defendem a saída do bloco regional.

Numa carta aberta publicada no jornal britânico "The Times", o empresário multimilionário refere que a Grã-Bretanha é "mais forte, mais próspera e mais influente" dentro da UE. "Apesar de a derradeira decisão pertencer ao povo britânico, é claro para mim que se a Grã-Bretanha escolher ficar fora da Europa tornar-se-á muito menos atrativa para os que fazem negócios e que investem. Será mais difícil encontrar e recrutar talentos de todo o continente; talentos esses que, por sua vez, criam empregos para as pessoas do Reino Unido".

No artigo de opinião, o filantropo que criou a Fundação Bill and Melinda Gates com a sua mulher refere ainda que foi o facto de o Reino Unido pertencer ao bloco europeu e integrar o mercado único que o levou a abrir instalações de investigação na Universidade de Cambridge, sublinhando que investimentos "necessários" como esse vão decrescer se ganhar o Brexit. "Será mais difícil angariar os investimentos necessários para bens públicos, como novos medicamentos e soluções acessíveis de energia limpa, para os quais precisamos de uma escala de colaboração, partilha de conhecimentos e apoio financeiro garantida pela força combinada [dos Estados-membros] da UE."

Na tarde desta quinta-feira, horas depois de divulgada a mais recente sondagem a antever a saída do Reino Unido da União Europeia no referendo da próxima quinta-feira, as campanhas políticas para essa consulta foram suspensas, após uma deputada trabalhista anti-Brexit ter sido baleada e esfaqueada em Birstall, perto da cidade de Leeds.

Um homem de 52 anos, entretanto identificado como Tommy Mair, foi detido no local logo a seguir ao ataque, à hora em que os media confirmavam que Jo Cox sucumbiu aos ferimentos no hospital. As autoridades britânicas continuam a tentar apurar os motivos do homicídio, com o "Telegraph" a avançar esta sexta-feira que a polícia estava a analisar "há três meses" o potencial reforço da segurança da trabalhista de 41 anos, eleita em 2015, perante ameaças que recebera nas redes sociais pela sua postura a favor da integração de refugiados e migrantes.

De acordo com outros media do país, Mair sofre de problemas psiquiátricos e está ligado a um grupo neonazi norte-americano e a um partido de extrema-direita britânico chamado Britain First, precisamente as palavras que gritou quando atacou Cox.