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Bernie Sanders sinaliza que está preparado para trabalhar com Hillary Clinton

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JEWEL SAMAD / GETTY IMAGES

Rival da ex-secretária de Estado na corrida à nomeação democrata continua sem pôr fim à campanha, mas num discurso em direto na internet admitiu pela primeira vez que o objetivo último dos democratas deve ser “derrotar Donald Trump”

Num discurso transmitido em direto na internet esta quinta-feira à noite (madrugada de sexta em Portugal), o aspirante à nomeação presidencial democrata Bernie Sanders deixou mais claro do que nunca que a sua campanha tem como objetivo destronar Donald Trump, o provável candidato do Partido Republicano à Casa Branca, mais do que a sua rival na corrida democrata.

“Esta campanha também tem a ver com derrotar Donald Trump, o presumível nomeado republicano. Após séculos de racismo, sexismo e discriminação em todas as suas formas no nosso país, não precisamos de um grande candidato partidário que insulta mexicanos e latinos, muçulmanos, mulheres e afro-americanos. Não podemos ter um Presidente que, no meio de tamanha desigualdade de riqueza, quer dar centenas de milhares de milhões de dólares em benefícios fiscais aos muito, muito ricos. Não podemos ter um Presidente que, apesar de todas as provas científicas, acredita que as alterações climáticas são uma fraude”, defendeu.

Apesar de nesse discurso o senador pelo Vermont dizer que derrotar o magnata populista e xenófobo “não pode ser o nosso único objetivo”, deixou claro que “a grande tarefa política” que os EUA e, em particular, os democratas enfrentam “nos próximos cinco anos é garantir que Donald Trump é derrotado e bem”.

A isto, Bernie acrescentou que “pessoalmente” pretende dar início ao seu "papel nesse processo muito, muito em breve”, no que os media norte-americanos leram como um sinal de que poderá estar preparado para abandonar a disputa pela nomeação democrata e trabalhar com a candidata virtual do partido para impedirem um Trump Presidente.

Desde que Hillary Clinton, oficialmente apoiada por Barack Obama, clamou vitória ao atingir o mínimo necessário de delegados e superdelegados eleitorais para conseguir a nomeação democrata na convenção nacional do partido em julho, Sanders continua a recusar-se a desistir da corrida, referindo que nem ela nem ele têm ainda os 2383 delegados que são precisos para forçar o outro a abandonar a corrida.

Com o fim do processo de primárias iniciado em fevereiro, as contas saldam-se em 2219 delegados prometidos para Clinton e 1832 para Sanders. Ao assumir-se como candidata do Partido Democrata à Casa Branca, a ex-secretária de Estado incluiu nas suas contas o número de superdelegados – membros eleitos do partido que não têm disciplina de voto – que já anunciaram que vão votar nela na Convenção Nacional: 581, contra uns míseros 49 para o rival.

Após a última etapa das primárias democratas, na passada terça-feira em Washington DC, que deu uma derradeira vitória à candidata, os dois aspirantes à nomeação tiveram um encontro “positivo” no qual discutiram formas de trabalharem em conjunto para garantirem que Trump não ganha as presidenciais de 8 de novembro. No discurso de quinta-feira, Sanders sinalizou pela primeira vez ao público que é nesse objetivo que está mais concentrado.

“Não é segredo nenhum que Clinton e eu discordamos fortemente em alguns assuntos importantes, [mas] também é verdade que as nossas visões estão muito próximas quanto a outros assuntos”, referiu, falando diretamente aos seus apoiantes. “Espero que, nas próximas semanas, as contínuas discussões entre as nossas duas campanhas garantam que as vossas vozes são ouvidas e que o Partido Democrata aprove a plataforma mais progressista da sua história e que realmente lute por essa agenda.”

De acordo com a “CBS News” citando números da campanha de Sanders, mais de 200 mil pessoas assistiram ao livestream do discurso de 23 minutos.