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“Sair da UE não resolverá o problema da imigração”. Os argumentos de Jo Cox

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YUI MOK / PA

Num artigo de opinião publicado recentemente, a deputada trabalhista esta tarde assassinada defendia por que as preocupações com a imigração não deviam ser razão para os britânicos optarem pelo Brexit. Não viveu para saber se o Reino Unido concorda

O artigo de opinião foi publicado no dia 10 de junho e tem a assinatura de Jo Cox, a deputada trabalhista que morreu esta quinta-feira após ser baleada e esfaqueada em West Yorkshire, à saída da biblioteca municipal. O texto foi escrito em defesa do voto pela permanência do Reino Unido na União Europeia e nele, em três pontos, a deputada explica porque, a seu ver, a saída britânica da Europa não é uma solução para o problema da imigração no país.

“A preocupação sobre as questões da imigração está certa”, começa por escrever Jo Cox no artigo publicado no “Yorkshire Post”. “Muitas pessoas estão apreensivas por causa disso”, o que “não significa que sejam racistas ou xenófabas”, acrescenta.

A deputada continua, depois, a explicar porque é que essas preocupações, “por mais legítimas que sejam”, “não são razão” para votar na opção pelo Brexit.

“Abandonar a Europa não resolverá o problema”, defende, porque mais de metade dos estrangeiros no Reino Unido chegaram de países fora da União Europeia e “o resultado do referendo não fará nada para fazer descer estes números”.

No texto, Jo Cox, que tinha 41 anos e deixa dois filhos, sublinha também que os próprios apoiantes do “Leave” concordam que os imigrantes legais devem poder permanecer no país mesmo que vença o Brexit”, pelo que nenhum cidadão ao votar deve fazê-lo com a “ilusão” de que optar pela saída da UE garante a redução do número de imigrantes no país.

O Reino Unido “pode lidar com o problema da imigração permanecendo na Europa”, pode ler-se no texto, onde a deputada defende como “certo e justo” que os imigrantes contribuam para os serviços sociais antes deles poderem beneficiar, em moldes que requerem mudar o sistema, sendo possível promover essas alterações “estando dentro da UE”.

“Podemos fazer mais para ajudar as comunidades sob pressão”, diz o artigo, que lembra também que a comunidade imigrante no Reino Unido desde 2001 “contribuiu mais” para a economia britânica do que a lesou ao receber benefícios.

Jo Cox lembra, por fim, as “imensas vantagens económicas” que representa para o país pertencer à comunidade europeia e os riscos que estão em causa e que foram enumerados por todos “desde o Presidente dos Estados Unidos ao mais pequeno empresário em Yorkshire”.

E o artigo termina: “Raras vezes concordo com o primeiro-ministro, mas nesta matéria ele tem razão: somos mais fortes, seguros e estamos melhor dentro da UE”.