Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Cameron mantém viagem a Gibraltar, mas suspende campanha contra o Brexit

  • 333

GETTY IMAGES

Apesar de cancelar a campanha pela permanência do Reino Unido na UE em Gibraltar, o primeiro-ministro britânico irá manter a sua reunião com o primeiro-ministro local e o líder da oposição

O primeiro-ministro britânico cancelou o encontro de esta quinta-feira à tarde a favor da pemanência do Reino Unido na União Europeia (UE). A decisão de suspender a sua presença no encontro “Gibraltar Stronger in Europe”, ao qual se juntaria o primeiro-ministro local Fabian Picardo, foi tomada na sequência do ataque no norte de Inglaterra à deputada trabalhista pró-UE Jo Cox, que faleceu esta tarde. David Cameron estaria a voar para Peñón quando o ataque ocorreu.

O primeiro-ministro britânico foi convidado por Gemma Vázquez, líder da campanha a favor da permanência do Reino Unido na UE num território onde 24 mil pessoas podem votar no referendo de 23 de junho.

Ainda assim, Cameron irá manter a sua reunião com Picardo e o líder da oposição, Daniel Feetham, no Rock Hotel, naquela que é a primeira visita de um primeiro-ministro britânico a Gibraltar desde 1968.

Esta, no entanto, não foi vista com bons olhos em Espanha. “O que se debate é se o Reino Unido fica na UE ou sai da UE e a campanha deveria fazer-se no Reino Unido e não em Gibraltar”, disse o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy em entrevista à RNE.

A eventual saída do Reino Unido da UE levaria igualmente à saída de Gibraltar, levando a que Espanha aproveite agora esse momento para voltar a trazer o debate sobre a soberania do pequeno território rochoso. Desde o início do XVIII, na sequência da Guerra da Sucessão Espanhola, Gibraltar encontra-se nas mãos de Londres - e a maioria dos gibraltenhos rejeitou em 2002 a partilha da soberania entre Espanha e o Reino Unido, através de referendo.

Se o Brexit se tornasse uma realidade, “Gibraltar passaria a ser uma fronteira externa e não teria acesso ao mercado interno [da UE], a não ser que acordasse alguma fórmula que supusesse a co-soberania de Espanha no período transitório”, aproveitou para sublinhar o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José García-Margallo.