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É Freud quem guarda o segredo sobre o desaparecimento de Madeleine McCann?

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Nascido alemão e naturalizado britânico, o neto de Sigmund Freud morreu em 2009 pouco antes de completar 85 anos

Getty Images

Polícia britânica vai abrir uma investigação ao falecido ex-deputado Clement Freud, neto do famoso psicanalista, que esta semana foi acusado de pedofilia e que se aproximou da família de Maddie após o desaparecimento da criança inglesa na Praia do Luz em 2007, onde Freud tinha uma casa de férias

Um novo documentário intitulado "Exposure" do canal britânico ITV, que vai ser transmitido esta quarta-feira à noite no Reino Unido, traz novas informações que a polícia poderá vir a incluir na investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann na praia da Luz, no Algarve, em maio de 2007.

No documentário, duas mulheres denunciam os abusos sexuais de que foram vítimas entre os anos 1940 e 1970 às mãos de Clement Freud, famoso político e escritor alemão naturalizado britânico, ainda mais famoso por ser descendente direto do psicanalista Sigmund Freud.

Sylvia Woosley, que conheceu Clement quando tinha 10 anos e que mais tarde viveu com ele quando o casamento da sua mãe acabou, diz que o ex-deputado a molestou durante vários anos quando era criança. Uma segunda mulher, que prefere manter o anonimato, acusa o ex-deputado liberal de também abusar sexualmente dela quando era criança e de a violar anos depois, quando tinha 18 anos.

Na terça-feira à noite, ao saber do conteúdo do documentário televisivo, Jill Freud, a viúva do acusado, disse em comunicado que se sente "profundamente triste" e que "lamenta profundamente o que aconteceu a essas mulheres". O pedido de desculpas às vítimas foi seguido de um rebulício nos media britânicos, que especulam que a polícia britânica vá investigar as possíveis ligações do suspeito pedófilo ao desaparecimento de Maddie há nove anos.

Freud, que morreu em abril de 2009 poucos dias antes de completar 85 anos, tinha uma casa de férias na Praia da Luz e, semanas depois do desaparecimento da criança inglesa, entrou em contacto com Gerry e Kate McCann, tornando-se amigo deles e acolhendo-os na sua casa em pelo menos duas ocasiões, aponta o "Telegraph".

Segundo o "The Independent" e outros jornais, a polícia britânica está a analisar a informação sobre o passado de Freud e as novas acusações de pedofilia para apurar se são relevantes para a investigação ao desaparecimento de Madeleine. De acordo com a família do ex-deputado, os Freud não estavam no Algarve quando a criança desapareceu da casa que Gerry e Kate estavam a arrendar num complexo turístico da Praia da Luz enquanto os pais estavam a jantar fora com amigos.

Em comunicado, um porta-voz dos Liberais Democratas falou em "alegações horrendas" e disse que o partido "está profundamente entristecido por saber que houve vidas que foram arruinadas por um homem cuja faceta pública estava em tão grande desacordo com o seu verdadeiro caráter". No documento, o partido ao qual Freud pertenceu elogiou a "grande coragem destas mulheres em falarem publicamente, após uma vida inteira a terem de esconder" os crimes de que foram vítimas.

"Este é o último de uma série de casos terríveis de figuras muito conhecidas que sistematicamente usaram o seu estatuto de celebridades e poder para cometerem abusos e violações", lê-se no comunicado. "Clement Freud era uma figura sénior dos Liberais, o predecessor do nosso partido, e estamos profundamente chocados e horrorizados com estas notícias. O nosso partido nunca teve conhecimento do que se passou e os nossos corações estão com as mulheres que foram afetadas."