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Quem era Larossi Abballa, o homem que colocou França em alerta redobrado

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Larossi Abballa

O jovem de 25 anos que matou um casal de polícias nos arredores de Paris teria ligações à Jihad no Paquistão. Tinha sido já condenado a três anos de prisão por terrorismo e guardava uma lista com alvos a abater. Foi abatido depois do duplo homicídio

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Larossi Abballa, de 25 anos, não era um desconhecido para as autoridades francesas. De nacionalidade francesa, o jovem radicalizou-se há poucos anos e tornou-se num recrutador de jovens franceses, através das redes sociais. A sua missão era a de aliciar novos soldados para as forças islamitas que combatem no Médio Oriente: terá sido responsável pelo treino de futuros jiadistas para campos de treino da Al-Qaeda localizados entre o Paquistão e o Afeganistão. Os treinos físicos foram realizados a oito candidatos ainda em França entre 2010 e 2011.

Segundo o procurador francês François Molins, o homicida tinha uma lista de alvos a abater onde se encontravam algumas figuras conhecidas em França. O procurador garantiu nesta terça-feira que o rapaz de 25 anos prestou juramento ao Daesh há poucas semanas. Entretanto três cúmplices foram detidos.

Abballa tem um passado com episódios de pequena delinquência. Dos roubos passou para um patamar diferente: o da ideologia extremista.

Há pelo menos cinco anos que os serviços de inteligência e de antiterrorismo o tinham debaixo de olho. Foi detido e julgado em 2011 e dois anos mais tarde condenado a três anos de prisão, por suspeitas de recrutamento, formação física e ideológica e "conspiração para a preparação de atos terroristas".

"Os vídeos a que assisti sobre a opressão aos muçulmanos tiveram um grande efeito sobre mim", confessou num tribunal em 2013. Só que o responsável pelo homicídio de dois agentes da polícia em Magnanville, nos arredores de Paris, na noite desta segunda-feira, cumpriu apenas uma parte da pena.

Depois de sair da prisão, Larossi Abballa foi alvo de vigilância das forças antiterroristas francesas (SDAT) e da Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI) que se aperceberam que pouco ou nada teria mudado nas suas rotinas. O suspeito terá continuado a tentar recrutar homens e mulheres para a Jihad, embora mudando de coordenadas: trocou a Al-Qaeda pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e em vez de aliciar combatentes para o Paquistão passou a fazê-lo para a Síria, assegura o "Le Monde".

Crime em direto no Facebook

A sua página no Facebook, que estava acessível até há poucas horas, era muito ativa e servia para fazer propaganda e apologia ao extremismo. No mesmo dia em que cometeu o duplo homicídio, colocou o logotipo do Euro 2016 debaixo de uma imagem a que a imprensa francesa designa de 'complotiste'. No perfil não faltavam fotomontagens como a de um homem crucificado e diversos vídeos religiosos.

Segundo o jornalista David Thomson, especialista francês em jiadismo, Larossi Abballa publicou no Facebook Live as fotos das duas vítimas e filmou, em direto, parte dos acontecimentos desta segunda-feira à noite em Magnanville. Segundo este jornalista, o vídeo de 13 minutos e as fotografias das vítimas foram entretanto retiradas desta rede social.

Ao "Le Figaro", Marc Trévidic, ex-juiz da área do terrorismo, traçou um perfil do suspeito. "Era um homem imprevisível e dissimulado que queria fazer a Jihad. Treinou em França, não militarmente mas fisicamente", declarou.

Abballa nasceu em Mantes-la-Jolie, povoação situada nos arredores de Paris, a poucos quilómetros do local onde matou os dois agentes. No ano passado abriu um restaurante chamado Dr. Food, de que fazia bastante publicidade também através do Facebook onde ensinava a confecionar alimentos e sanduíches.

[Artigo atualizado às 15h10 de 14 de junho de 2016]

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