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Oposição unida contra Rajoy no único debate a quatro antes das legislativas em Espanha

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A televisão está sintonizada no debate, mas neste restaurante de Madrid ninguém lhe presta atenção. Cansaço ou desinteresse?

© Susana Vera / Reuters

População vai às urnas a 26 de junho para escolher o próximo Executivo, após nenhum dos partidos ter alcançado maioria absoluta nas eleições gerais de 20 de dezembro

O desempenho económico e a corrupção foram os dois temas que uniram os rivais Pedro Sánchez, Pablo Iglesias e Albert Rivera contra Mariano Rajoy no debate a quatro vozes que foi transmitido na televisão espanhola na segunda-feira à noite, o único desta natureza antes da ida às urnas em Espanha dentro de duas semanas, a 26 de junho.

Durante o braço-de-ferro, o ainda presidente do Executivo central espanhol e líder do Partido Popular (PP, conservadores) bateu-se contra a aliança dos líderes dos três principais partidos da oposição, defendendo a sua gestão económica e desculpando os casos de corrupção em que membros do seu partido se têm visto envolvidos.

Aparte algumas trocas acesas de palavras que não o tiveram como alvo — como o momento em que Rivera, do jovem movimento centrista Cidadãos, tentou atacar o líder do Podemos, Pablo Iglesias, por ter alinhado com o PP no chumbo à investidura de um Governo de coligação liderado por Sánchez (PSOE) — o debate terminou sem vencedores mas com um claro vencido: Rajoy. Apesar de ter vencido as eleições gerais de 20 de dezembro, o contestado líder dos conservadores falhou em obter maioria absoluta para continuar no poder e em conseguir atrair outros partidos para formar um governo minoritário, abrindo uma crise política em Espanha que culminou nestas legislativas antecipadas.

Neste momento, e apesar da tempestade, o PP lidera as intenções de voto com 28,5% de apoio nos mais recentes inquéritos de opinião, seguido de perto pela coligação de esquerda Unidos Podemos (25,6%). Os socialistas de Sánchez registam 20,2% o Cidadãos 16,6%.

A unir os quatro candidatos uma promessa: a de que vão fazer os possíveis para evitar que as eleições legislativas tenham de ser repetidas mais uma vez. O debate ficou ainda marcado pela tentativa de Rivera em demarcar-se de Rajoy, seu possível parceiro numa eventual coligação de direita, com duras acusações de corrupção, naquele que foi o momento mais tenso da noite.

As eleições de 26 de junho foram convocadas pelo rei Felipe VI no início de maio, após o líder do PSOE ter falhado em alcançar apoios suficientes para formar um Governo de coligação no início do ano. Embora tenha conseguido garantir o apoio do Cidadãos, que já na altura tentou demarcar-se do PP de Rajoy, Sánchez falhou em alcançar os votos favoráveis, ou no mínimo a abstenção do Podemos na votação que viu a sua investidura ser chumbada.

Sobre pactos futuros para governar, Sánchez declarou ontem à noite que sairá sempre a ganhar, Rajoy pediu uma grande coligação do PP com o Cidadãos e com o PSOE, Rivera disse estar disposto a negociar acordos com um pedido aos conservadores para que se “regenerem” e Iglesias voltou a insistir que quer um Governo de coligação com o PSOE mas sem o Cidadãos e no qual o Presidente seja o líder do partido mais votado. Nada de novo aí, a não ser o facto de o Podemos estar atualmente à frente dos socialistas nas últimas sondagens.