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Militar venezuelano detido pela morte de manifestante

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Invocando o estado de excepção, o regime venezuelano tem autorizado os corpos polícias e as forças armadas a recorrem a armas de fogo para controlarem protestos

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A detenção ocorre após a morte do manifestante, atingido por uma bala enquanto protestava contra a rutura no fornecimento de alimentos, ter aumentado ainda mais a onda de indignação

Um responsável da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) foi detido por suposta responsabilidade pela morte do manifestante que fora atingido por uma bala numa perna durante um protesto contra a rutura do fornecimento de alimentos em Cariaco, cidade do estado costeiro de Sucre, na Venezuela.

A detenção do sargento Carlos Eduardo Moreno Licet ocorre após um vídeo difundido nas redes sociais ter mostrado que membros da GNB e da polícia dispararam contra os manifestantes. Para além da morte de Luis Josmel Fuente Bermúdez, de 21 anos, uma dezena de pessoas ficaram feridas.

“Você (ministro da Defesa venezuelano) tinha dito que as Forças Armadas nunca disparariam sobre o povo. No Cerezal (Cariaco), espingardas dispararam contra o povo indefeso”, afirmou Marino Alvarado, destacado defensor dos direitos humanos na Venezuela. “É lógico que as pessoas protestam por comida. Quem disparou contra o povo cariaco é um delinquente comum, e quem deu a ordem também. Se existiu essa ordem estaremos a falar num crime contra a humanidade”, acrescentou, em declarações proferidas antes da detenção do responsável da GNB.

A morte de Bermúdez ocorreu quando as populações se manifestavam por os estabelecimentos locais se encontrarem há duas semanas sem receber bens alimentares.

Tratou-se da terceira morte em uma semana relacionada com a onda de protestos pela carência de alimentos. Uma mulher de 42 anos faleceu após ter sido alvejada no rosto. O Ministério Público atribuiu responsabilidades pela sua morte a um polícia do estado de Táchira. Um jovem de 21 anos morreu após a GNB ter intervindo para conter um saque no estado de Miranda.

Invocando o estado de exceção e a aplicação da resolução 08610, o regime venezuelano tem autorizado os corpos polícias e as forças armadas a recorrem a armas de fogo para controlarem protestos.