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Autarca de Londres proíbe anúncios que façam as mulheres sentirem vergonha dos seus corpos

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© Dylan Martinez / Reuters

“Quero mandar uma mensagem clara à indústria da publicidade sobre isto: ninguém deve sentir-se pressionado, enquanto viaja de metro ou de autocarro, a atender a expectativas irrealistas em torno dos seus corpos”

Anúncios publicitários que façam as pessoas, em particular as mulheres, sentirem vergonha dos seus corpos ou que aumentem a pressão sobre elas para que tenham determinada aparência vão passar a ser proibidos nos transportes públicos em Londres.

A decisão foi anunciada pelo novo autarca da capital britânica, Sadiq Khan, na segunda-feira, em reação à ira provocada pela controversa campanha publicitária da Protein World há um ano, no âmbito da qual a empresa espalhou pelo metro de Londres cartazes com a fotografia de uma modelo de biquini com a pergunta: “Are you beach body ready?” (“O seu corpo está pronto para a praia?”, numa tradução livre).

“Como pai de duas raparigas adolescentes, fico extremamente preocupado com este tipo de publicidade que pode rebaixar as pessoas, em particular as mulheres, e fazê-las sentirem-se envergonhadas dos seus próprios corpos. Já é altura de isto acabar”, declarou Khan em comunicado. “Ninguém deve sentir-se pressionado, enquanto viaja de metro ou de autocarro, a atender a expectativas irrealistas em torno dos seus corpos e quero enviar uma mensagem clara sobre isto à indústria da publicidade.”

Para além de banir anúncios que ponham em causa a autoconfiança de qualquer pessoa independentemente da sua forma física, o trabalhista pediu à Transportes de Londres (TfL) que crie um grupo de supervisão de publicidade para aplicar as novas políticas e revê-las quando necessário.

“A publicidade na nossa rede [de transportes] é diferente da publicidade na televisão, online ou na imprensa”, diz Graeme Craig, diretor de desenvolvimento comercial da TfL. “Os nossos clientes não podem simplesmente desligar a televisão ou virar a página se um anúncio os ofende ou os faz sentir mal e nós temos o dever de assegurar que as nossas ações refletem esse ambiente único. Queremos encorajar mais publicidade que integre as pessoas e que melhore a rede de transportes públicos.”

De acordo com o “The Independent”, os espaços publicitários vendidos pela TfL são dos mais caros do mundo, antecipando-se que a empresa vá lucrar mais de 1,5 mil milhões de libras (quase 1,9 mil milhões de euros) em receitas de publicidade nos próximos oito anos e meio.

Há uma semana, uma discussão semelhante a esta foi lançada em Munique, na Alemanha, após vários moradores e transeuntes da praça Marienplatz, um dos principais pontos turísticos da cidade, se terem declarado ofendidos com um “outdoor” de 114 metros quadrados que mostra a modelo brasileira Adriana Lima em biquini para a última campanha da marca Calzedonia. “O anúncio ensina às raparigas que devem ser o mais magras possível, quase anoréxicas”, criticou a deputada Lydia Dietrich à rádio “Deutsche Welle”.

As queixas surgiram no âmbito de uma discussão lançada pelo ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, que em fevereiro apresentou um projeto-lei para proibir em todo o país anúncios que objetifiquem sexualmente mulheres e homens.