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Abu Sayyaf decapita mais um canadiano

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Conferência de imprensa de um responsável da Polícia Nacional das Filipinas, esta terça-feira, em Manila, sobre a execução do canadiano Robert Hall

© Romeo Ranoco / Reuters

A execução de um cidadão canadiano de 50 anos, cativo do grupo separatista filipino Abu Sayyaf desde há nove meses, relança a discussão à volta do pagamento de resgates a terroristas

Margarida Mota

Jornalista

As autoridades filipinas confirmaram, esta terça-feira, a decapitação de um canadiano que estava refém do grupo terrorista Abu Sayyaf há nove meses, na ilha de Sulu (sul). O grupo tinha ameaçado assassinar Robert Hall, de 50 anos, caso não fosse pago, até às 15 horas de segunda-feira (mais sete horas do que em Lisboa), um resgate no valor de 300 milhões de pesos (5,8 milhões de euros).

Nesse dia à noite, foi encontrada uma cabeça decepada junto à catedral da ilha de Jolo (sul). “A descoberta confirmou a decapitação brutal por parte do maléfico e criminoso Grupo Abu Sayyaf de uma vítima de rapto”, diz um comunicado militar, citado pela AFP.

Robert Hall tinha sido raptado a 21 de setembro, a bordo de um iate junto a um “resort” turístico da ilha de Samal, no sul, juntamente com a namorada (a filipina Marites Flor), um norueguês (Kjartan Sekkingstad, “manager” da estância) e outro canadiano. Este último, John Ridsdel, de 68 anos, foi degolado em abril passado, após um pedido de resgate não ter sido atendido pelas autoridades canadianas.

“Após a perda trágica de dois canadianos, quero reiterar que os raptos terroristas apenas alimentam mais violência e instabilidade”, reagiu o primeiro-ministro, Justin Trudeau. “O Canadá não vai ceder às suas táticas amedrontadoras e atitudes desprezíveis em relação ao sofrimento de outros. É precisamente por esta razão que o Governo do Canadá não vai nem pode pagar resgates por reféns de grupos terroristas, já que se o fizesse colocaria em perigo as vidas de mais canadianos.”

Estima-se que os quatro reféns tenham sido levados para a selva da ilha de Jolo, para onde as autoridades filipinas enviaram um forte dispositivo militar e policial para os tentar resgatar.

Segundo o Major Filemon Tan, porta-voz das forças de segurança no sul, os sequestradores têm conseguido escapar ilesos uma vez que gozam da cumplicidade da população carenciada. “Eles têm familiares na comunidade, que os alertam quando veem soldados nas imediações”, afirmou o militar à rádio DZMM.

O militar explicou ainda que as áreas de floresta, o terreno acidentado e as longas extensões de costa, que permitem que os terroristas se esquivem mar adentro quando se sentem apertados em terra, dificulta a perseguição aos terroristas.

Grupo pequeno mas muito violento

Fundado nos anos 90, o Grupo Abu Sayyaf — então associado e financiado pela Al-Qaeda de Osama bin Laden — luta pela criação de um Estado islâmico no sul das Filipinas, país de maioria católica. Nos últimos anos, algumas fações do grupo declararam fidelidade ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e à liderança de Abu Bakr al-Baghdadi.

O grupo é pequeno, mas ativo e muito violento, recorrendo a ataques à bomba, extorsões, raptos e decapitações. Tem nos sequestros uma importante fonte de financiamento.

A 1 de maio passado, o grupo libertou 10 marinheiros indonésios, na ilha de Jolo, após cinco semanas em cativeiro. Habitualmente, as libertações têm implícito o pagamento de resgates. Hussin Amin, “mayor” de Jolo, afirmou então: “Se esta grande libertação aconteceu em troca de dinheiro, quem quer que tenha pago está a apoiar o Abu Sayyaf. Este dinheiro será usado para comprar mais armas de fogo e será utilizado como fundo de mobilização por parte destes criminosos”.

Segundo a Al-Jazeera, a violência associada ao Abu Sayyaf já provocou mais de 100 mil mortos.