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Testemunhas dizem ter visto Omar na discoteca gay de Orlando várias vezes

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Quatro frequentadores assíduos da discoteca gay Pulse, onde Omar Mateen abriu fogo na madrugada de domingo sobre dezenas de pessoas, dizem tê-lo visto várias vezes naquele espaço. Às vezes mantinha-se discreto, outras nem por isso, tornando-se “barulhento e agressivo”

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos quatro clientes assíduos da discoteca gay Pulse, em Orlando, onde ocorreu, na madrugada de domingo, o mortífero atentado que resultou na morte de 49 pessoas, afirmaram ter visto o atirador Omar Mateen naquela discoteca antes do tiroteio, refere o jornal “Orlando Sentinel”.

“Às vezes, ele sentava-se num canto a beber, outras vezes estava tão bêbado que se tornava barulhento e agressivo”, disse Ty Smith, um desses quatro frequentadores do espaço noturno, citado pelo mesmo jornal. Ty Smith lembra-se de ter visto Omar na discoteca “pelo menos uma dúzia de vezes”. “Nós não falávamos muito com ele, mas lembro-me de ele falar sobre o pai às vezes. Também nos disse que tinha mulher e um filho”, acrescentou. John Mina, o chefe da polícia local, diz não ter quaisquer informações sobre estas visitas.

Omar Marteen, nascido em Nova Iorque em 1986, filho de pais afegãos, foi identificado como o responsável pelo tiroteio da madrugada de domingo que resultou na morte de 49 pessoas e deixou outras 53 feridas, na discoteca gay Pulse, em Orlando, na Florida. O ataque foi considerado o mais mortífero na História dos EUA.

Antes de abrir fogo sobre as dezenas de pessoas que estavam na discoteca, Omar, que chegou armado com uma espingarda e uma pistola comprados legalmente, prestou juramento ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), através de um telefonema feito para o 112, em que também se mostrou solidário com os autores do atentado na maratona da Boston, ocorrido em 2013. O próprio Daesh confirmou a autoria do ataque na discoteca, dizendo que este foi levado a cabo por um combatente ligado ao grupo terrorista, mas as dúvidas em relação ao que terá, de facto, levado Omar a cometer o ataque persistem.

Também este domingo um grupo de estudantes de uma antiga turma de Omar Mateen disse ao “Washington Post” que este tinha celebrado os atentados terroristas do 11 de setembro de 2001, mostrando-se “eufórico” e imitando o barulho de aviões e o movimento destes a irem de encontro a um edifício. “Não sei se ele estava a fazer isso por causa de alguma coisa que ouvira em casa ou apenas para chamar a atenção”, lembra Robert Zirkle, um desses ex-colegas da Martin County High School. Com o avançar das horas, vão surgindo cada vez mais testemunhas e relatos. Sendo praticamente impossível apurar a veracidade de tudo o que tem sido dito, o melhor é esperar que o tempo e as investigações das autoridades sejam capazes de servir, elas mesmas, de filtro necessário.