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Omar falava constantemente em matar pessoas, revela ex-colega

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ENNIO LEANZA/EPA

Daniel Gilroy, que trabalhava com Omar Mateen na cidade de Port St. Lucie, na Florida, descreveu-o como um “homem violento e revoltado”, que estava sempre “zangado, nervoso” e pronto a insultar outras pessoas, fosse por razões étnicas e raciais, fosse por razões sexuais

Helena Bento

Jornalista

Um ex-colega de trabalho de Omar Mateen, o americano de origem afegã que na madrugada de sábado para domingo matou 49 pessoas na discoteca Pulse, em Orlando, na Florida (EUA), descreveu-o como um homem “violento e revoltado”, que “falava constantemente em matar pessoas”. Em declarações ao “New York Times”, Daniel Gilroy, que trabalhava com Omar na cidade de Port St. Lucie, na Florida, revelou que chegou a apresentar queixa do atirador à empresa de segurança para a qual os dois trabalhavam, a G4S, com sede em Londres.

“Ele estava sempre pronto a insultar outras pessoas, fosse por razões étnicas e raciais, fosse por razões sexuais. Estava sempre inquieto, nervoso, a tremer, zangado”, disse o ex-colega, cuja relação com Omar começou a deteriorar-se a dada altura, com este a enviar-lhe 20 a 30 mensagens por dia. Daniel Gilroy não ficou surpreendido com as notícias do tiroteio na discoteca. “Eu sabia que isto ia acontecer”.

Omar Mateen, nascido em Nova Iorque em 1986, filho de pais afegãos, foi identificado como o responsável pelo tiroteio na discoteca gay Pulse, em Orlando, na Florida, que resultou na morte de 49 pessoas e deixou outras 53 feridas. O ataque foi considerado o mais mortífero na História dos EUA.

Antes de abrir fogo sobre as dezenas de pessoas que estavam na discoteca, Omar, que chegou armado com uma espingarda e uma pistola - foi anunciada entretanto a descoberta de uma terceira arma num veículo que o atacante alugara - prestou juramento ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), através de um telefonema feito para o 112, em que também se mostrou solidário com os autores do atentado na maratona da Boston. O próprio Daesh confirmou a autoria do ataque na discoteca, dizendo que este foi levado a cabo por um combatente ligado ao grupo terrorista, mas as dúvidas em relação ao que terá, de facto, levado Omar a cometer o ataque persistem.

Omar ter-se-á depois trancado numa das casas de banho da discoteca com “quatro ou cinco reféns”, segundo Jerry Deming, xerife de Orange County, na Florida. Três horas depois do início do massacre - eram já 5h, meia-noite em Lisboa - Omar anunciou que ia começar a matar mais pessoas. Perante a ameaça, as autoridades ordenaram de imediatana a entrada na discoteca.

Ex-mulher de Omar Mateen acusa-o de violência doméstica

Omar Mateen frequentava um centro islâmico na cidade de Fort Pierce, onde também vivia, num T2. Em declarações ao “Washington Post”, o imã do centro, Shafiq Rahman, disse que Omar chegava muitas vezes ao centro acompanhado do pai e do filho, e que as suas três irmãs trabalhavam como voluntárias na mesquita. “Ele era o mais calado, nunca falava com ninguém. Vinha rezar e ia embora. Nada fazia prever que ele poderia fazer algo tão violento”, disse. Seddique Mateen, pai de Omar, duvida que por trás do ataque estejam motivações religiosas. Em entrevista à NBC News, Seddique contou que o filho ficou muito incomodado, zangado até, quando há uns meses viu dois homens a beijarem-se em Miami.

Também a ex-mulher do atirador falou sobre ele aos jornalistas. Em entrevista ao “Washington Post”, Sitora Yusifiy descreveu Omar como “profundamente perturbado e traumatizado” e disse que ele se envolvia frequentemente em discussões acesas com os pais, embora ela fosse quase sempre o alvo da sua violência. Sitora Yusifiy e Omar Mateen conheceram-se pela Internet e casaram-se em 2009. Quatro meses depois, estavam divorciados, com Sitora a acusar o ex-marido de violência doméstica e de a ter feito refém durante o tempo em que estiveram casados. “A minha família salvou-me. Na noite em que lá foram tiveram de me arrancar dos braços dele, deixei todos os meus bens, fiz queixa na polícia”, contou Sitora Yusifiy, que também garantiu que durante o casamento não se apercebeu de quaisquer sinais de radicalismo religioso do ex-marido. A sua aproximação à religião terá ocorrido depois do divórcio, tendo Omar feito, inclusive, uma peregrinação à Arábia Saudita, revelou um antigo amigo, citado pelo “Washington Post”.

O desempenho do BFI, que está a investigar o caso por haver suspeitas de que se tenha tratado de um ataque terrorista, tem sido questionado. É que Omar Mateen esteve duas vezes no radar da agência federal, primeiro em 2013, quando fez comentários a colegas que sugeriam uma afinidade a grupos islâmicos, e depois em 2014, quando foi descoberta a sua ligação a Moner Mohammad Abu Salha, um residente na Florida que partiu para a Síria para se tornar bombista-suicida. Os dois casos foram arquivados porque nem foi provada a sua ligação a grupos terroristas, nem ele foi considerado uma ameaça substancial pela sua ligação a Mohammad Salha, afirmou Ronald Hopper, responsável local do FBI, numa conferência de imprensa no domingo. Omar continuou a trabalhar como segurança e manteve a licença de porte de arma.

  • Quem era Omar Mateen? E porque decidiu matar?

    O norte-americano de origem afegã foi identificado pelas autoridades como o responsável pelo tiroteio deste domingo na discoteca Pulse em Orlando, na Florida. Foi investigado no passado pelo FBI por “possíveis ligações” a um terrorista islâmico, mas o seu pai garante que o crime não foi “motivado pela religião”