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“Obama prometeu uma guerra limpa. Eis o resultado”

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Em Londres, foram muitas as homenagens às vítimas do atentado que resultou na morte de 49 pessoas numa discoteca gay em Orlando, na Florida

DYLAN MARTINEZ/Reuters

Polémico, Beau Grosscup escreve sobre terrorismo desde os anos 70. Professor na Universidade da Califórnia, relaciona o ataque terrorista de Orlando com o alegado insucesso da estratégia americana de contraterrorismo, em particular com o programa de assassinatos selectivos executado por aparelhos não tripulados (“drone program”).

Críticos da guerra contra o terrorismo levada a cabo pela Administração americana usam o atentado de Orlando, que ontem provocou 50 mortos e 53 feridos, para acusar o líder dos Estados Unidos, Barack Obama, de não saber lidar com a ameaça, estando mais preocupado em disparar primeiro e fazer perguntas depois.

Beau Grosscup destaca-se nesse coro de críticas, através das dezenas de investigações em áreas de conflito armado, descritas em outros tantos livros sobre terrorismo publicados desde a década de 70. O último - “Stategic Terror: The Politics and Ethics of the Aerial Bombardement” - aborda o programa de assassinatos selectivos executado por aparelhos não tripulados, vulgarmente conhecido como “drone program”.

“Obama prometeu uma guerra limpa. Eis o resultado. Drones, bombardeamentos cirúrgicos e tudo, claro, com baixas zero! O problema é que o suposto programa que apenas liquidaria terroristas tem morto milhares de civis. Resultado? Esta gente tresloucada não tem nada a perder e surgem dispostos a tudo. A vingança é uma estrada de dois sentidos. Depois do 11 de Setembro fomos à procura da nossa. Agora eles procuram a sua”, afirma Grosscup ao Expresso.

Sem papas na língua - o escritor é uma espécie de enfant terrible na elite universitária americana –, Grosscup ressalva que é preciso confirmar as motivações de Omar Mateen, o americano de 29 anos, natural de Nova Iorque, que, na madrugada de domingo, levou a cabo o atentado na discoteca gay Pulse, em Orlando.

“Será que ele era louco? Homofóbico? Ou será que estaria à espera de um motivo, de uma razão para atacar em nome de uma organização terrorista? Recorde-se que o Estado Islâmico pediu, há cerca de um mês, que os seus simpatizantes nos EUA parassem de viajar até à Síria e se concentrassem na guerra santa em território americano. Ao mesmo tempo, Washington anunciou que iria parar de proteger civis nos bombardeamentos aéreos. Este seria o momento ideal para agir”

Indignado com a forma como Obama tem lidado com a ameaça terrorista, o professor da Universidade da Califórnia recorda que a Administração Bush, fortemente criticada pela intervenção militar no Iraque, que “terá lançado as sementes do Estado Islâmico”, tinha um plano de contraterrorismo alicerçado no programa de interrogatórios da CIA.

“Pelo menos extraiam informação antes de os torturar”, diz. “Hoje não queremos saber. Todas as terças-feiras, Obama senta-se com o seu núcleo duro de segurança interna e torna-se juiz, júri e carniceiro, decidindo quem é o próximo alvo a abater”.

Grosscup não tem uma solução milagrosa para o problema do terrorismo. “Ninguém tem”, garante. “Mas temos de nos convencer que não existe reparo possível. O que temos de fazer, e este é o debate mais importante, é garantir que no meio da luta contra o terrorismo as nossas liberdades não são eliminadas. Se acabamos com elas em nome da segurança total, simplesmente acabamos com a natureza dessas mesmas sociedades que queremos proteger”.

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