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Internacional

Ataque na Florida abala comunidade LGBT

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DAVID MCNEW

À medida que vão sendo conhecidas as identidades de algumas vítimas, as famílias e amigos choram. Em Orlando, as vigílias estão limitadas por questões de segurança. Apesar de tudo, a comunidade LGBT garante que não terá medo

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

“Esta é uma lembrança séria de que um ataque contra qualquer americano, independentemente da sua raça, etnia, religião ou orientação sexual, é um ataque contra todos nós.” Foi assim que o Presidente Barack Obama se referiu ao tiroteio levado a cabo por Omar Mateen no passado domingo numa discoteca gay, em Orlando, na Florida, destacando que o lugar onde ocorreu o ataque, a discoteca gay Pulse, é “mais do que uma discoteca, é um lugar de solidariedade”.

O tom foi seguido pelo seu vice-Presidente, Joe Biden: “Atacar lésbicas, gays, bissexuais e transexuais americanos é maléfico e abominável”, declarou.

Embora ainda não sejam conhecidas em concreto as motivações do atirador, muitos dos responsáveis norte-americanos consideraram este ataque como um crime de ódio. O facto do tiroteio ter decorrido no mês de junho, quando se realiza a maioria das celebrações de orgulho gay, não foi alheio à comunidade.

Enquanto se multiplicam os gestos de solidariedade por várias localidades dos EUA, como no bairro Castro em São Francisco ou em Fort Worth, no Texas, as autoridades norte-americanas recorrem a um reforço de segurança. Isso mesmo garantiu o comissário da polícia de Boston, William B. Evans: “Este é claramente um crime de ódio que teve como alvo a população gay. Vamos assegurar que eles estão em segurança”, garantiu.

Ainda este domingo um homem foi detido por alegadamente pretender realizar um ataque na parada do orgulho gay de Los Angeles — mas as autoridades já garantiram que este caso não está relacionado com o tiroteio na Florida.

Na cidade de Orlando, as vigílias pelas vítimas estão proibidas pelas autoridades, devido aos “recursos limitados” de que estas dispõem, segundo informações veiculadas pelas entidades municipais. A homenagem vai por enquanto sendo feita à porta fechada, na igreja Joy Metropolitan Community, enquanto as famílias das vítimas aguardam no Hampton Inn por informações.

Vários ativistas da comunidade LGBT norte-americana têm alertado nas últimas horas para as limitações que enfrentam, inclusivamente nesta situação, visto não poderem doar sangue para as vítimas. Atualmente, e depois da regulamentação já ter sido suavizada, as diretrizes da Food and Drug Administration ditam que nenhum homem que tenha tido relações sexuais com outro homem no último ano pode doar sangue.

Outras vozes destacaram a reação da maior parte dos políticos do Partido Republicano, que — ao contrário de Obama e Biden — não fizeram referências à comunidade LGBT nas suas declarações.

No entanto, a mensagem mais partilhada nas redes sociais relativamente aos ataques é a hashtag #loveislove, ou seja, “o amor é o amor”, acompanhada da bandeira arco-íris. E, menos de 24 horas depois do ataque, entre a comunidade LGBT vai-se dizendo que não há medo, como escreveu Alex-Abad Santos no site “Vox”: “Estes lugares evocam um sentimento de pertença, de que por alguns minutos ou horas encontrámos a nossa tribo, a nossa família”, declarou o jornalista. “Nenhum tiroteio, nem mesmo o mais letal da História americana, tem o poder de tirar isso.”