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Quem era Omar Mateen? E porque decidiu matar?

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Omar Mateen, autor dos disparos na discoteca em Orlando, tinha 29 anos, nasceu em Nova Iorque e vivia na Florida

REUTERS

O norte-americano de origem afegã foi identificado pelas autoridades como o responsável pelo tiroteio deste domingo na discoteca Pulse em Orlando, na Florida. Foi investigado no passado pelo FBI por “possíveis ligações” a um terrorista islâmico, mas o seu pai garante que o crime não foi “motivado pela religião”

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Nasceu em 1986 em Nova Iorque, filho de pais afegãos, mas passou grande parte da sua vida na Florida. As autoridades norte-americanas identificaram este homem, Omar Mateen, como o responsável pelo tiroteio deste domingo numa discoteca gay em Orlando, que tirou a vida a 50 pessoas.

Sabe-se que trabalhava como segurança na cidade de Port St. Lucie, na Flórida, e que tinha autorização de porte de armas. Falta ainda saber o que o terá levado a realizar o tiroteio mais letal da História recente dos EUA — mas já é certo que Mateen esteve debaixo de olho das autoridades norte-americanas no passado.

Investigado pelo FBI

De acordo com Ron Hopper, responsável do FBI em Orlando, os serviços secretos levaram a cabo duas investigações relacionadas com o atirador: uma primeira em 2013, a propósito de “comentários incendiários” que Mateen terá feito com colegas de trabalho acerca das suas possíveis “ligações terroristas”; outra em 2014 a propósito das suas “possíveis ligações” a Moner Mohammad Abusalha, um bombista suicida norte-americano relacionado com a Frente Al-Nusra na Síria.

Ambas as investigações acabaram por ser encerradas, por não ter sido possível confirmar as alegações de Mateen de 2013. Quanto às ligações a Abusalha, o FBI declarou que a relação entre os dois era “mínima” e não constituía “uma ameaça à altura”.

Ligações ao radicalismo islâmico?

Segundo dados avançados pela imprensa norte-americana, que cita responsáveis não identificados, Omar Mateen terá telefonado para o número de emergência antes do ataque para declarar a sua ligação ao Daesh. Contudo, tal informação não foi ainda confirmada oficialmente.

Omar era um frequentador discreto de uma mesquita em Fort Pierce, mas o seu pai, Seddique Mateen, garantiu na manhã de domingo à cadeia de televisão NBC que o tiroteio levado a cabo pelo seu filho “não tem nada a ver com religião”. Seddique optou por destacar um episódio que ocorreu há alguns meses: Omar, que seguia na rua em Miami com o seu filho, terá ficado especialmente irritado por ter visto dois homens a beijarem-se.

“Pedimos desculpa pelo incidente. Não estávamos a par desta ação que ele viria a tomar. Estamos em choque como todo o país”, acrescentou o pai Seddique.

Quem também prestou declarações acerca de Omar aos media foi a sua ex-mulher, que se divorciou em 2011 de Mateen e que não quis ser identificada. Em entrevista ao “Washington Post”, a ex-mulher de Mateen diz que foi vítima de violência doméstica: “Ele não era uma pessoa estável”, declarou. A ex-mulher garante ainda que durante o seu casamento não havia quaisquer sinais de radicalismo religioso em Omar.

O “Washington Post” cita um amigo não identificado do atirador que garante que Omar se tornou mais religioso após a separação. Terá inclusivamente chegado a fazer a peregrinação a Meca há alguns anos, mas nunca revelou qualquer simpatia por organizações como o Daesh. “Ele nunca falou dessas coisas”, garante o amigo.