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Obama sobre ataque em discoteca na Florida: “É um ato de terror”

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Amigos e familiares das vítimas juntaram-ee perto da discoteca Pulse, na Florida, Estados Unidos da América, onde esta madrugada um homem matou 50 pessoas e deixou 53 feridas

STEVE NESIUS / REUTERS

O atirador que matou 50 pessoas e deixou 53 feridas numa discoteca gay nos Estados Unidos jurou fidelidade ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) numa chamada para a linha de emergência antes do ataque, segundo a imprensa americana. O Daesh já o identificou como “um combatente” do grupo. As autoridades não confirmaram uma ligação

O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, disse este domingo que o tiroteio numa discoteca gay na Florida, que fez 50 mortos e 53 feridos esta madrugada, é “um ato de terror”, um “ato de ódio”, segundo é citado pela BBC. Este é considerado um dos piores ataques armados nos EUA e parece ser o tiroteio que provocou mais mortos na História moderna do país, segundo dados do FBI.

O atirador já foi identificado e foi morto pela polícia no local, segundo a informação da imprensa americana. Omar Saddiqui Mateen, 29 anos, nascido em Nova Iorque, vivia no Estado da Florida. Transportava consigo uma espingarda e um revólver.

A NBC e a CNN, com base em informação policial, avançam que o atirador, momentos antes de disparar, ligou para a linha de emergência nos Estados Unidos (911) jurando fidelidade ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). O FBI veio entretanto confirmar que houve, de facto, uma chamada do atirador para a linha de emergência, mas não quis avançar informação sobre o seu conteúdo, segundo cita a BBC.

O Daesh, através de um comunicado da agência Amaq, ligada ao grupo extremista, afirmou que o ataque na Florida foi “perpetrado por um combatente do Estado Islâmico”.

A imprensa internacional tem sublinhado o facto de este comunicado não refletir necessariamente que o ataque tenha sido planeado ou ordenado pelo Daesh. As autoridades não confirmaram a existência de nenhuma ligação direta entre o atirador e uma organização terrorista.

Interrogado duas vezes pelo FBI

Numa conferência de imprensa no final da tarde (em Lisboa), o porta-voz do FBI disse que Omar Mateen já tinha sido interrrogado duas vezes pela agência. Uma vez em 2013, depois de ter feito “comentários inflamatórios” a um colega, mas que a investigação foi encerrada, declarou, citado no site da BBC.

Mais tarde, em 2014, voltou a ser questionado sobre uma eventual ligação ao bombista suicida americano, Moner Abu Salah, que morreu em maio do ano passado na Síria. O FBI diz não ter encontrado nenhuma “relação substancial” entre os dois.

Ainda sobre a chamada de Omar Saddiqui Mateen à linha de emergência, a CNN acrescenta que o homem mencionou os atentados de Boston. Recorde-se que os atentados durante a maratona de Boston decorreram em abril de 2013.

Está atualmente a decorrer uma investigação para perceber que motivações tinha Omar Saddiqui Mateen. A família veio negar que o ataque tivesse a ver com religião. “Não tem nada a ver com religião”, disse Mir Seddique, pai de Omar Mateen, explicando ao canal televisivo NBC que, há algum tempo, o jovem tinha ficado furioso ao ver dois homossexuais a beijarem-se, no centro de Miami.

“Não sabíamos de nada. Estamos chocados como todo o país”, disse o pai de Omar Mateen, identificado como cidadão norte-americano de origem afegã.

Não é só um ataque à comunidade LGBT, diz Obama

Na sua intervenção esta tarde, Barack Obama disse ainda que este ataque à comunidade LGBT “é um ataque a todos nós”. O presidente dos EUA acrescentou ainda que as discotecas gay, como aquela onde esta madrugada decorreu o tiroteio, são “mais do que discotecas”. “São locais de solidariedade” para a comunidade LGBT americana.

Um levantamento feito pela CNN comprova que se trata de um dos piores ataques armados de sempre no país. Os três piores massacres a tiro registados nesse levantamento ficam aquém da tragédia deste domingo. Em 2007 um estudante de 23 anos matou 32 colegas no campus universitário de Virginia Tech, suicidando-se de seguida.

Em 2012 um outro jovem de 20 anos matou 27 pessoas, incluindo 20 crianças, numa escola no Connecticut. E em 1991 um homem de 35 anos lançou a sua carrinha contra um café no Texas, disparando de seguida sobre os seus clientes, matando 23 pessoas.

Dados recolhidos pelo FBI em 2014 e revelados pela edição norte-americana de "The Guardian" apontam no mesmo sentido, focando-se em tiroteios provocados por um chamado "atirador ativo". O relatório dos serviços de informação norte-americanos destaca o tiroteio num cinema em Aurora (Colorado) em 2012, onde morreram 12 pessoas.

O "Guardian" destaca ainda o ataque em San Bernardino no ano passado, onde um casal matou 14 pessoas a tiro, e os atentados da Maratona de Boston, em 2013, onde os irmãos Tsarnaev provocaram a morte a três indíviduos e deixaram mais de 200 feridos.

As autoridades estão a identificar todas as vítimas, para notificar as respetivas famílias. Houve vários pedidos para que as pessoas dessem sangue, que foram prontamente respondidos pelos americanos, num dos gestos de solidariedade demonstrados nas últimas horas.

[notícia atualizada às 22h40]