Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

“Lobos solitários” irão continuar a atacar os EUA

  • 333

JUSTIN LANE

Ao Expresso, Coleen Rowley, ex-líder da unidade contraterrorismo do FBI, resume os dois grandes problemas que um dos piores ataques armados no Estados Unidos reflete

Perante o ataque na discoteca gay em Orlando, na Florida, do qual resultaram 50 mortos e 53 feridos, este domingo, Coleen Rowley, ex-líder da Unidade Contraterrorismo do FBI eq ue atualmente tem uma firma de segurança, considera que aqui estão refletidos dois problemas: os “lobos solitários” com uma mentalidade 'contra' os Estados Unidos e a facilidade que têm em aceder a armas.

“Há dezenas de milhares de indivíduos americanos que julgam que estão em guerra contra os Estados Unidos”, diz Coleen Rowley ao Expresso, lembrando serem “lobos solitários”. São pessoas apenas inspiradas pelo Estado Islâmico, mas sem ligações diretas com o grupo terrorista.

Até agora, as informações disponíveis e confirmadas ao Expresso por uma das porta-vozes do FBI, Rebecca Callahan, apontam para que esse seja o caso do atirador, Omar Saddiqui Mateen, de 29 anos, nascido em Nova Iorque e que vivia no Estado da Florida.

Momentos antes do tiroteio, Omar Mateen ligou para a linha de emergência (911) e falou do ataque que iria fazer “em nome do Estado Islâmico”. Horas depois, Daesh, através de um comunicado da agência Amaq, ligada ao grupo extremista, disse que o ataque na Florida foi “perpetrado por um combatente do Estado Islâmico”.

Coleen Rowley, que em 2002 foi eleita pela revista “Time” uma das 100 figuras do ano, sublinha, no entanto, que o problema não se fica apenas pela inspiração que estes indivíduos possam ter no Daesh. “Isto vai continuar porque é fácil aceder às armas nos Estados Unidos”, sublinha.

A ex-líder da unidade contra-terrorismo, que deixou o FBI em 2006, refere que Omar “tinha amigos que foram fazer a Jihad na Síria” e que, mesmo assim, “ele tinha uma licença de porte de arma passada pela Florida”.

Rowley levanta, assim, aquele que é um dos grandes debates nos Estados Unidos, a que o presidente Barack Obama voltou a fazer referência este domingo, na sua intervenção pública, na qual lamentou o ataque, considerando-o “um ato de terror”.

“Estas pessoas, mesmo com este historial, têm acesso às armas”, afirmou Coleen Rowley ao Expresso, lembrando que até mesmo quem consta das “no fly lists” - ou seja, que está proibido de andar de avião - “tem livre acesso às armas nos Estados Unidos”.

Juntando os dois problemas - a mentalidade de muitos indivíduos 'contra' os Estados Unidos e o acesso fácil às armas no país -, o que se pode prever, na opinião de Coleen Rowley, é que a insegurança se mantenha.

  • Daesh reivindica ataque a discoteca gay em Orlando

    A agência de notícias do autoproclamado Estado Islâmico, Amaq, anunciou que o autor do massacre que este fim de semana tirou a vida a 50 pessoas e deixou pelo menos 53 feridas era um combatente do grupo terrorista. Mas alguns jornais internacionais sublinham que o comunicado é evasivo e que, provavelmente, o grupo ter-se-á aproveitado da situação para dizer que Omar era combatente do Daesh

  • Quem era Omar Mateen? E porque decidiu matar?

    O norte-americano de origem afegã foi identificado pelas autoridades como o responsável pelo tiroteio deste domingo na discoteca Pulse em Orlando, na Florida. Foi investigado no passado pelo FBI por “possíveis ligações” a um terrorista islâmico, mas o seu pai garante que o crime não foi “motivado pela religião”

  • Obama sobre ataque em discoteca na Florida: “É um ato de terror”

    O atirador que matou 50 pessoas e deixou 53 feridas numa discoteca gay nos Estados Unidos jurou fidelidade ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) numa chamada para a linha de emergência antes do ataque, segundo a imprensa americana. O Daesh já o identificou como “um combatente” do grupo. As autoridades não confirmaram uma ligação