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Cameron defende que saída da UE traria “uma década de incerteza” ao Reino Unido

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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, nos estúdios da BBC este domingo onde deu uma entrevista

JEFF OVERS / BBC / HANDOUT

David Cameron falou das desvantagens e consequências de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia, a pouco mais de uma semana do referendo de 23 de junho. Os defensores do Brexit acusam David Cameron de “alarmismo”

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse este domingo numa entrevista à BBC e na imprensa britânica que a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) traria uma “década de incerteza” ao país, considerando, pelo contrário, que, se permanecer, o Reino Unido irá ver aumentar a sua autoridade junto da UE.

As declarações de Cameron surgem num momento em que as sondagens mostram os britânicos divididos em relação à decisão sobre o Brexit. A agência Reuters cita duas sondagens recentes: uma mostra os apoiantes da permanência do Reino Unido na UE dois pontos à frente dos que apoiam a saída, enquanto outra sondagem aponta para um avanço, por um ponto, dos que defendem a saída. O referendo realizar-se-á no dia 23 de junho.

“Se acordarmos no dia 24 de junho e fizermos parte da União Europeia, a autoridade do Reino Unido dentro da UE será mais forte”, disse David Cameron à BBC.

“Nenhum outro país fez o que nos fizemos”, acrescentou, fazendo referência à renegociação dos termos de permanência do Reino Unido na União Europeia e ao referendo que decorrerá dentro de pouco tempo. Cameron disse ainda na entrevista à BBC que “continuará a ser primeiro-ministro”, mesmo que o país vote a favor da saída.

As consequências da saída, segundo Cameron

Quanto à questão das consequências que a decisão sobre o Brexit virá a ter, Cameron alertou também este domingo, numa outra entrevista, para possibilidade de o financiamento do fundo de pensões e do Serviço Nacional de Saúde ficar em risco caso o Reino Unido saia da UE.

“Se sairmos da União Europeia, os peritos independentes e respeitados dizem que em 2020 vamos enfrentar um 'buraco negro' nas nossas finanças públicas de até 40 mil milhões de libras [50,6 mil milhões de euros] e nessas circunstâncias o financiamento futuro do SNS pode estar em risco”, disse David Cameron em entrevista ao jornal “The Observer”, citado pela Lusa.

Os defensores do Brexit acusam David Cameron de “alarmismo”. O primeiro-ministro britânico recusou essas acusações, defendendo que o seu papel é o de alertar para os eventuais perigos de uma saída.

Num artigo de opinião no “Sunday Telegraph”, Cameron disse também que o Governo teria de rever os benefícios dos pensionistas se o Reino Unido sair. “Fizemos um esforço especial para proteger os pensionistas”, disse, acrescentando que tudo foi feito “na expectativa de uma economia a crescer, mas se tivermos um grande 'buraco negro', podemos ficar em dificuldades para justificar esta proteção especial daí em diante”.

Há dois dias, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, disse que o Reino Unido, se sair da UE, “não poderá mais desfrutar dos benefícios do mercado único europeu”.

“O país deve respeitar as regras de um clube do qual quer sair”, afirmou, antes de insistir que “dentro é dentro” e “fora é fora”.

Se os cidadãos apostam em sair da União Europeia, afirmou Schäuble, o país não poderá, a seguir, desfrutar dos benefícios do mercado único, como fazem agora Noruega e Suíça, que estão fora do bloco.