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Obama apoia Hillary. É oficial

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BRIAN SNYDER/REUTERS

O anúncio foi feito pelos dois, horas depois de o senador Bernie Sanders se reunir com o presidente e dar a entender (sem o dizer expressamente) que vai ajudar Clinton a impedir Trump de ganhar as eleições

Luís M. Faria

Jornalista

Barack Obama apoia oficialmente Hillary Clinton. O anúncio foi feito esta quinta-feira à tarde pela própria candidata, numa entrevista ao site “Politico” e através de um vídeo que a sua campanha publicou na internet. Durante a entrevista, Hillary contou que o presidente lhe declarou “especificamente” o apoio à sua campanha, e agradeceu o gesto. “Ele está ansioso por andar aí fora a fazer campanha, e eu quero realmente estar com ele”, explicou Hillary. “Ele tem deixado claro que acha que a sua tarefa é recordar ao povo americano que ser presidente é uma responsabilidade realmente séria, com muitas escolhas difíceis e elevados riscos. Acho que ele tem uma capacidade única de falar ao povo americano sobre o conhecimento e a experiência e o temperamento que a presidência requer”.

No vídeo, por sua vez, Obama diz: “Sei quão difícil este trabalho pode ser. Por isso, sei que Hillary vai ser boa nele. Na verdade, não penso que alguma vez tenha havido alguém tão qualificado para ter este cargo. Ela tem a coragem, a compaixão e o coração que o trabalho exige. E digo isto como alguém que teve de debater com ela mais de 20 vezes”, uma alusão à batalha renhida que os dois travaram há oito anos, durante as primárias onde Hillary partia com favoritismo mas que Obama acabou por vencer.

Recentemente, o presidente já tinha dado indicações de que deveria vir a apoiar Hillary, mas teve o cuidado de se manter neutro ao longo das primárias. Nas últimas semanas, com o senador Bernie Sanders a permanecer na corrida mesmo quando matematicamente já lhe era impossível conseguir a nomeação, muitos dirigentes democratas começavam a ficar preocupados com o risco para a campanha de Hillary – em especial numa altura em que Donald Trump parece estar definitivamente escolhido como candidato dos republicanos, salvo alguma surpresa de última hora.

Uma manifestação pública de consideração

Do fim de semana para cá, as derrotas de Sanders em Porto Rico e noutros estados, em particular a Flórida, retiraram força à ideia de que a sua campanha estava em ascensão e ele poderia aproveitar a embalagem para tentar superar Hillary na convenção democrata de julho. Finda essa ilusão, o reconhecimento da derrota seria uma questão de tempo, e só faltava Obama desempenhar o papel que lhe estava reservado. O que fez também esta quinta-feira. Antes de declarar o seu apoio a Hillary, recebeu Sanders na Casa Branca para um encontro de mais de uma hora.

Os dois políticos apareceram a caminhar juntos no jardim, pondo os braços nos ombros um do outro, numa manifestação ostensiva de consideração que era sem dúvida parte do que Sanders desejava. A outra parte, a principal, é saber que a sua plataforma de combate às desigualdades e à corrupção política vai ser levada em consideração no programa da candidata presidencial democrata. Hillary deu sinais nesse sentido, referindo que Sanders introduziu alguns "pontos fortes" na campanha e aludindo a objetivos que os dois candidatos partilham – por exemplo, um sistema universal de saúde.

Sanders, por sua vez, falou em sentar-se brevemente a conversar com a ex-secretária de Estado, que se prepara para uma “épica batalha” com o candidato republicano, e disse que “vai fazer tudo o que estiver no meu poder e trabalhar tão duro como puder para garantir que Donald Trump não se torna presidente dos Estados Unidos”. A seguir reiterou a sua presença como candidato na derradeira primária democrata, que terá lugar terça-feira próxima em Washington D.C.. Algo que ele tinha prometido aos seus apoiantes, e que em nada altera o essencial da situação.

Entretanto, o ainda presidente Obama e a candidata a sucedê-lo vão aparecer juntos em campanha pela primeira vez na quarta-feira que vem. Dois dias antes, Trump deve lançar um extenso ataque a Hillary, semana e meia depois de ela ter atacado a noção que ele tem de política externa, e o seu estilo em geral, num discurso que assinalou uma mudança de tom há muito esperada.