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Internacional

Israel revoga licenças de entrada em Jerusalém a 83 mil palestinianos

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AHMAD GHARABLI

Decisão de impedir visitas a familiares e a locais sagrados durante o Ramadão foi anunciada na sequência de um ataque a tiro levado a cabo por dois palestinianos de Yatta num centro comercial de Telavive. Quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas

O Governo de Israel anunciou esta quinta-feira de manhã que vai revogar as licenças de 83 mil palestinianos durante o mês sagrado do Ramadão na sequência do ataque de quarta-feira levado a cabo por dois homens palestianianos de Yatta, uma cidade a sul de Hebron, no sul do território ocupado da Cisjordânia.

Quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas no tiroteio de quarta-feira no Sarona Market, um centro comercial a céu aberto no centro de Telavive, frente ao Ministério da Defesa e ao Estado-Maior do Exército israelita.

Apesar de o Hamas, o grupo que controla a Faixa de Gaza, ter aplaudido o atentado, não reivindicou envolvimento nele. Por causa disso, a juntar aos 204 familiares de um dos suspeitos do ataque e a dezenas de milhares de outros residentes da Cisjordânia, centenas de licenças de habitantes do enclave de Gaza que pretendiam visitar locais sagrados e familiares em Jerusalém durante o Ramadão também vão ser suspensas.

A informação foi avançada em comunicado pelo Cogat, o organismo que gere os assuntos civis na Cisjordânia ocupada. Ao longo do último ano, tem havido uma onda de ataques contra israelitas levados a cabo por palestinianos, que envolvem tiroteios e esfaqueamentos na cidade disputada de Jerusalém, Telavive e noutros locais em Israel. Nos últimos meses, aponta a BBC, o número de incidentes decresceu.

A Cisjordânia está sob ocupação das forças militares israelitas desde 1967 e, apesar de ter sido dividida pelos Acordos de Oslo de 1993 para possibilitar a coexistência de israelitas e palestinianos, continua totalmente controlada por Israel desde então, através da presença de militares e milhares de checkpoints por onde os palestinianos são obrigados a passar todos os dias. A tomada de território através de uma política de construção de colonatos tem sido repetidamente condenada pela União Europeia e por outros países.

Também sob ocupação israelita desde 1967, a Faixa de Gaza passou a estar sob controlo do Hamas a partir de 2008, altura em que o Governo hebraico retirou todas as tropas e colonos do enclave, mantendo ainda assim um bloqueio económico e iniciando desde então várias campanhas de bombardeamentos contra o território. A última, no verão de 2014, provocou a morte de 72 israelitas, 66 dos quais soldados, e de 2189 palestinianos, dos quais 900 eram militantes do Hamas.