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Bebés com três pais podem ser uma realidade até 2017

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Uma versão modificada de fertilização in vitro pode devolver a esperança a mulheres com doenças genéticas que pretendam engravidar

Sandy Huffaker/Getty Images

Terapia de reposição mitocondrial promete evitar doenças congénitas ao substituir células "defeituosas" do óvulo de uma mulher pelo ADN saudável do óvulo de outra

O Reino Unido pode estar prestes a tornar-se no primeiro país do mundo a autorizar a controversa terapia de reposição mitocondrial (MR), com base nas alterações às regras de fertilidade que o Governo britânico aprovou em fevereiro e que prevêem a legalização da técnica que tem como objetivo evitar que os bebés herdem doenças genéticas graves.

O "The Independent" avança esta quinta-feira que um grupo de cientistas britânicos acabou de anunciar o sucesso dos testes de MR e que, em linha com a recente decisão executiva, o Reino Unido poderá assistir ao nascimento dos primeiros bebés com três pais até ao final de 2017.

A reposição mitocondrial baseia-se na substituição de uma pequena quantidade de células de ADN de um óvulo que contêm informação genética "defeituosa" pelo ADN saudável de outra mulher, o que quer dizer que o bebé herda genes de um pai e de duas mães. A técnica é aplicada em tratamentos de fertilização in vitro manipulando a mitocondria, considerada a "casa das máquinas" das células.

Caso seja aprovada, mais de 100 bebés com três pais poderão nascer no Reino Unido por ano, apontam estudos. O procedimemnto poderia ajudar a erradicar doenças genéticas herdadas ao longo de gerações em determinadas famílias, como a diabetes, cegueira, demência, problemas cardiovasculares, gástricos e neurológicos. Transmitidas pela mãe aos filhos, as doenças mitocondriais não têm cura e afetam uma em cada 6.500 crianças.

Alguns críticos argumentam que o tratamento poderia ser o primeiro passo para “projetar” bebés, correndo-se o risco de abrir a porta a políticas eugénicas.

Um porta-voz do Departamento de Saúde já reagiu a essa controvérsia, dizendo que os regulamentos que vão ser elaborados no verão antes de serem apresentados ao Parlamento vão incluir regras estritas para evitar o "fabrico de bebés" seguindo a teoria da eugenia — preconizada por Francis Galton no século XIX e que defende a possibilidade de melhoramento da espécie humana, física e mentalmente, através de métodos de seleção artificial e de controlo reprodutivo.

O debate parlamentar da medida deverá acontecer no outono, abrindo caminho à Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA, na sigla inglesa) para licenciar clínicas para o tratamento de famílias com historial de doenças mitocondriais.