Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Refugiados forçados a prostituir-se para conseguirem sobreviver na Grécia

  • 333

LOUISA GOULIAMAKI

Investigação do “Global Post” aponta que há cada vez mais homens do Afeganistão e da Síria a venderem os corpos nas ruas de Atenas

Dezenas de homens da Síria e do Afeganistão que fugiram da guerra em busca de ajuda na União Europeia estão a ser forçados a prostituirem-se ao chegarem à Grécia para conseguirem sobreviver.

De acordo com uma investigação do jornal "Global Post" em Atenas, vários refugiados, incluindo rapazes adolescentes, estão a vender serviços sexuais por valores tão baixos quanto dois euros após chegarem à capital grega sem dinheiro. A maioria vende os corpos na rua Fylis, o grande centro de prostituição ilegal em Atenas.

"Não tinha dinheiro nenhum e no aeroporto não há empregos", relatou ao jornal um migrante afegão, identificado como Abdullah. "Podemos vender droga, sexo ou trabalhar para os traficantes arranjando-lhes clientes. Não tinha outra hipótese, não tinha sequer 20 cêntimos. Fiquei zangado. Tinha acabado de chegar e tive de fazer isto [prostituir-se] para arranjar algum dinheiro. Tínhamos apenas uma esperança, a de que as fronteiras estivessem abertas e agora estão fechadas. Não tenho dinheiro para ir para lado nenhum. Não sei o que fazer."

Como vários conhecidos e centenas de outros refugiados na mesma situação, Abdullah vive atualmente no antigo complexo olímpico de Hellinikon, que neste momento alberga mais de 4000 refugiados perto do aeroporto de Atenas.

Na Grécia, a prostituição só é legal em bordéis registados, mas o número de negócios ilícitos está a crescer nas ruas e em parques públicos. Alguns requerentes de asilo vendem-se por 30 euros, mas outros são forçados a aceitar valores tão baixos quanto dois euros por alegadamente terem vergonha de pedir mais dinheiro, aponta o jornal.

A investigação conduzida no último mês mostra que não são só as mulheres e raparigas refugiadas que são forçadas a vender-se para sobreviverem numa Europa que continua a falhar em encontrar respostas para a pior crise humanitária desde a II Guerra Mundial.

Desde janeiro de 2011, quase dez mil requerentes de asilo do Paquistão instalaram-se na Grécia, a juntar a seis mil sírios e a 34 mil nacionais do Bangladesh, da Georgia e de outros países, de acordo com estatísticas da agência de Refugiados da ONU. Números da Comissão Europeia mostram que menos de 2% dos refugiados que entraram na UE pela Grécia já foram reinstalados noutros Estados-membros do bloco europeu.

Em maio, a agência de patrulha de fronteiras europeias (Frontex) anunciou que o número de refugiados e migrantes que têm chegado às ilhas gregas vindos da Turquia caiu 90% em relação ao mês anterior, muito graças ao controverso acordo de repatriação de requerentes de asilo alcançado pela UE com as autoridades turcas em março.