Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Novo atentado na Turquia causa pelo menos 11 mortos

  • 333

Defne Karadeniz/GETTY

Um carro armadilhado explodiu esta manhã junto de uma esquadra da polícia na cidade de Midyat, no sudeste da Turquia. Atentado ocorre um dia depois de um autocarro da polícia turca ter sido alvo de um ataque à bomba no centro de Istambul, causando 11 mortos e 36 feridos

Um carro armadilhado explodiu esta manhã em frente a uma esquadra da polícia na cidade turca de Midyat, província de Mardin, no sudeste do país, provocando pelo menos 11 mortes e 36 feridos, segundo o jornal “Hurriyet”.

O atentado acontece um dia depois de Istambul ter sido alvo de um outro ataque à bomba, que teve como alvo um autocarro da polícia na praça histórica de Beyazit, uma das principais atrações turísticas da cidade, durante a hora de ponta matinal. Onze pessoas morreram e 36 ficaram feridas nesse ataque, com as autoridades turcas a avançarem que um engenho explosivo instalado no autocarro das forças de segurança foi detonado à distância à passagem do veículo por uma movimentada paragem de autocarros públicos.

Midyat fica perto da fronteira com a Síria, numa das províncias de maioria curda. De acordo com os media turcos, várias ambulâncias foram de imediato mobilizadas para o local. Nem o atentado de ontem nem o ataque desta quarta-feira foram reivindicados por qualquer grupo.

De acordo com a Reuters, a explosão desta manhã destruiu a fachada de um edifício de cinco andares e danificou outros edifícios no local. Logo após a explosão, membros das forças de segurança e militantes do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) entraram em confrontos na cidade.

Depois de décadas de conflito na Turquia entre as autoridades e a minoria curda, que provocou mais de 40 mil mortos entre o final dos anos 1980 e o início dos 2000, o grupo que defende a autodeterminação do povo curdo anunciou o fim da luta armada e deu início a negociações de paz com o Governo de Recep Tayyip Erdogan.

O processo de paz terminou abruptamente no verão do ano passado, quando a Turquia integrou a coligação liderada pelos EUA que está a levar a campanha de bombardeamentos aéreos contra bastiões do Daesh no Iraque e na Síria. O Executivo turco condena desde essa altura o apoio dado pelo Ocidente aos curdos, o maior grupo de combatentes no terreno que têm alcançado importantes ganhos na guerra contra os terroristas no Médio Oriente.

Sob forte condenação de vários países, a Turquia está desde então a levar a cabo uma campanha militar contra os curdos no sudeste do país, que concentra a maioria dos milhões de pessoas dessa etnia, que corresponderão a cerca de 15% da população total de 78 milhões. Não há números precisos quanto à minoria curda por causa dos sucessivos entraves do Governo islamita de Erdogan, que ilegalizou os censos com base em diferentes etnias e raças.

O atentado de terça-feira em Istambul foi o quarto desde o início deste ano na cidade que mais turistas atrai na Turquia. Nos últimos oito meses, o país foi palco de mais de uma dezena de ataques reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) ou pelos separatistas curdos nessa cidade, na capital, Ancara, e em várias localidades do sudeste do território turco.

[Atualizada às 11h16]