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Hillary Clinton vence primárias em quatro estados e celebra “marco histórico para as mulheres”

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Drew Angerer

Dos seis estados a votos na terça-feira à noite, a ex-secretária de Estado norte-americana ganhou em quatro, com Bernie Sanders a vencer o caucus da Dakota do Norte e os resultados da Califórnia ainda por apurar

Hillary Clinton celebrou na madrugada desta quarta-feira a natureza histórica da sua vitória, após chamar a si a maioria dos delegados eleitorais em disputa nos estados de Montana, New Jersey, Dakota do Sul e Novo México, quatro dos seis estados a votos na terça à noite na penúltima etapa das primárias norte-americanas — que a aproximaram ainda mais da nomeação democrata para as presidenciais.

Horas antes das votações, que lhe deverão ter atribuído a maioria simples de 2383 delegados necessários para ser a candidata à presidência em novembro, a Associated Press já tinha avançado, após a sua vitória no estado associado de Porto Rico no domingo, que a aspirante à nomeação democrata já tinha o número necessário de apoiantes entre os representantes do partido para tirar Bernie Sanders da corrida.

O senador pelo Vermont continuou a recusar-se a abandonar a corrida à nomeação, declarando que os superdelegados que apoiam Clinton só vão votar nela na Convenção Nacional Democrata em julho e que, portanto, as contas apresentadas pela Associated Press não estão escritas na pedra.

Ao contrário dos delegados atribuídos a cada candidato consoante o número de votos alcançados em cada estado nas primárias e caucus, os superdelegados, que são membros do partido eleitos para cargos públicos, não têm disciplina de voto e escolhem quem querem apoiar no encontro nacional de onde sairá o candidato à Casa Branca.

Antes das votações de terça à noite, que deram a vitória a Sanders no caucus da Dakota do Norte, Clinton já tinha 1807 delegados atribuídos mais o apoio declarado de 576 superdelegados. Durante a tarde desta quarta-feira, quando os resultados dos seis estados a votos — incluindo a Califórnia, onde o maior número de delegados estava em disputa — acabarem de ser contabilizados, a candidata poderá já ter garantido o mínimo de 2383 delegados necessários sem incluir os superdelegados que lhe prometeram o seu voto no encontro do partido no final de julho.

Por essa razão, Clinton adiantou-se à contagem oficial dos votos e celebrou com os apoiantes em Nova Iorque a sua "histórica vitória" e de todas as mulheres e dos homens que as apoiaram na luta pela igualdade de direitos. "Obrigada a todos vocês, alcançámos um marco: é a primeira vez na nossa história que uma mulher vai ser a nomeada de um grande partido", disse sob fortes aplausos em Brooklyn, ao lado do marido, o antigo Presidente norte-americano Bill Clinton.

"A vitória desta noite não é de uma pessoa. Pertence a gerações de mulheres e de homens que lutaram e se sacrificaram para tornarem este momento possível. No nosso país, essa luta começou aqui mesmo em Nova Iorque, num sítio chamado Seneca Falls, em 1848, quando um pequeno mas determinado grupo de mulheres e homens se juntaram sob a ideia de que as mulheres merecem direitos iguais. Portanto todos nós devemos muito aos que vieram antes e esta noite pertence a todos vocês."

A 8 de novembro, Clinton vai enfrentar o candidato republicano, Donald Trump, nas urnas, um homem contra o qual o partido conservador tentou conspirar para evitar a sua nomeação e que agora que tem a nomeação garantida está a alienar alguns senadores republicanos que dizem que não vão votar nele.

Para capitalizar esse descontentamento, e apesar de Sanders continuar oficialmente na corrida democrata, Clinton voltou a dedicar parte do seu discurso de vitória na terça à noite aos republicanos, convidando-os a votar nela e não no candidato oficial do seu partido. "Donald Trump é temperamentalmente inapto para ser Presidente", disse sobre o ex-amigo da família Clinton tornado seu rival, que tem apostado numa campanha xenófoba, populista e machista.

No discurso aos seus apoiantes na Califórnia, onde Sanders está crente de que poderá vencer após sondagens à boca de urna preverem resultados demasiado renhidos para se antecipar um vencedor claro, o senador pelo Vermont garantiu que nunca irá apoiar Donald Trump, "um candidato cujo maior tema de campanha é o fanatismo".

Horas antes das vitórias sem surpresa nos cinco estados onde houve primárias republicanas (no Dakota do Norte foram exclusivamente democratas), o magnata do imobiliário tinha pedido aos apoiantes de Sanders que votassem em si.