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Internacional

“Caça” de albinos no Malawi alimentada por falhas das autoridades de segurança

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GIANLUIGI GUERCIA

Número de homicídios de pessoas com albinismo na nação africana aumentou nos últimos dois anos, aponta relatório da Amnistia Internacional

A Amnistia Internacional diz ter detetado uma vaga crescente de homicídios de pessoas com albinismo no Malawi, que são "caçadas" por organizações criminosas que vendem partes dos seus corpos para práticas rituais.

Num relatório intitulado “We are not animals to be hunted or sold”: Violence and discrimination against people with albinism in Malawi”, a organização de direitos humanos aponta as falhas das autoridades do país africano em adotar e aplicar medidas de prevenção e proteção da minoria, que corresponde a cerca de dez mil habitantes.

As pessoas com albinismo vivem num "clima de terror permanente", com medo de serem raptadas e mortas por grupos que lucram com a venda de partes dos seus corpos para feitiçaria. Nos últimos dois anos, aponta a Amnistia, houve um enorme aumento no número de mortes de albinos, com quatro pessoas, incluindo um bebé, a serem assassinadas desde o início deste mês.

No início de maio, a ONU tinha alertado que a perseguição dos albinos do Malawi está a aumentar o risco de "total extinção" da minoria, com Ikponwosa Ero, especialista da organização em albinismo, a denunciar que, em muitos casos, os grupos que atacam estas pessoas não só as matam como assaltam as suas campas para lhes roubar os pertences, também eles usados em rituais de feitiçaria.

No relatório esta terça-feira tornado público, a Amnistia Internacional aponta que, desde novembro de 2014, pelo menos 18 pessoas foram mortas no país e pelo menos cinco continuam desaparecidas após terem sido raptadas e levadas para parte incerta; os números de mortos e desaparecidos pode ser bastante superior ao documentado, aponta a organização.

"A onda sem precedentes de ataques brutais contra pessoas com albinismo criou um clima de terror para este grupo vulnerável e para as suas famílias, que vivem a temer constantemente pelas suas vidas", diz Deprose Muchena, diretora da Amnistia para o Sul de África. "As autoridades do Malawi têm falhado, deixando esta faixa da população à mercê de gangues crimiosos que as caçam pelas suas partes do corpo."

Para além das extremas formas de violência a que estas pessoas são sujeitas, a Amnistia apurou ainda que os albinos são alvo de discriminação social constante, incluindo insultos verbais e exclusão no acesso a serviços públicos básicos, quer ao sistema de educação quer ao sistema de saúde, o que leva muitas delas a morrerem de cancro de pele por causa de falta de informação sobre a sua condição, causada pela deficiência na produção de melanina, e por falta de acesso a coisas tão básicas como protetores solares.