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Sondagens dão vitória à saída do Reino Unido

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A diferença é pequena, mas suficiente para contribuir para uma queda da cotação da libra

Os partidários da saída do Reino Unido da União Europeia (‘Brexit’) mantêm-se em vantagem nas sondagens, a menos de três semanas de um referendo, provocando uma queda da cotação da libra esterlina.

Segundo uma média de sondagens estabelecida pelo ‘site’ WhatUKThinks, o campo do ‘Brexit’ assegura 51% dos votos, a primeira vez desde há cerca de um mês que os apoiantes de uma saída do clube europeu lideram as intenções de voto projetadas por esta organização, que não considera os indecisos.

Como consequência, a meio da tarde a moeda britânica baixou face ao euro, para 78,54 pence por euro, atingindo mesmo na abertura dos mercados asiáticos um câmbio de 79,05 pence, o seu nível mais fraco em três semanas e meia.

“As sondagens continuam a ser um motor para a moeda que este mês enfrenta o mais elevado nível de incerteza”, assinalou, citada pela agência noticiosa France-Presse (AFP), a analista Ana Thaker, do PhillipCapital UK, prevendo flutuações ainda "mais pronunciadas" com a aproximação do referendo sobre o Brexit marcado para 23 de junho.

Perante esta inversão, a presidente do banco central norte-americano, Janet Yellen, reiterou a posição anti-‘Brexit’ da Reserva Federal (Fed) e alertou para as “importantes repercussões económicas” de um ‘Brexit’, como sucedeu com o Presidente Barack Obama no final de abril ao afirmar que o Reino Unido “perderia a sua influência mundial”.

Na perspetiva de John Curtice, professor na universidade escocesa de Strathclyde e especialista em estudos de sondagens, as últimas projeções explicam-se pelo facto “de o Governo ser incapaz de dominar as manchetes dos media utilizando a máquina pública”.

Desde 27 de maio que os ministérios não são autorizados a fazer campanha a favor da permanência na UE.

"Devemos recordar-nos que todas as sondagens que vimos são sondagens efetuadas na internet e que estas sondagens têm tendência a favorecer o campo da saída" da UE, disse à AFP.

A viragem na tendência surge alguns dias após a apresentação de um projeto dos apoiantes do 'Brexit' de um projeto de "imigração à australiana", com um sistema de pontos.

“Os que afirmam que a imigração não é central no voto anti-UE não compreendem o voto anti-UE”, escreveu na rede social 'Twitter' Matthew Goodwin, professor de Ciências políticas na universidade de Kent.

Para tentar retomar vantagem, o primeiro-ministro conservador David Cameron, que lidera o campo da permanência na União, promoveu esta segunda-feira em Londres um comício com responsáveis do Partido Trabalhista, principal força da oposição, dos verdes e do Partido Liberal Democrata (centro).

No campo dos defensores do ‘Brexit’, Boris Johnson, antigo presidente conservador da câmara de Londres e a quem se atribui a ambição de suceder a Cameron, ripostou e apelou aos seus compatriotas para se aperceberem do enorme risco para a “estabilidade” do Reino Unido no caso de se manterem na UE.

Esta segunda-feira, dez sindicatos britânicos publicaram uma carta no diário “The Guardian” onde apelam aos seus milhões de aderentes a votarem pela permanência.