Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Candidata “antissistema” lidera contagem de votos para a câmara de Roma

  • 333

FILIPPO MONTEFORTE

MoVimento 5 Estrelas será o grande vencedor das eleições municipais de domingo, num duro golpe ao primeiro-ministro do Partido Democrático, Matteo Renzi

O MoVimento 5 Estrelas, que entrou de rompante na política italiana há sete anos como forma de protesto contra o sistema instituído, assumindo-se como um "não-partido", está em rota para ganhar a Câmara de Roma, de acordo com sondagens à boca de urna das eleições municipais que aconteceram este domingo em várias cidades de Itália.

Cerca de 13 milhões de eleitores, o correspondente a um quarto da população adulta italiana, foram chamados a eleger os próximos dirigentes de quase 1348 autarquias e freguesias do país, com as atenções mais focadas nos grandes centros urbanos, sobretudo na capital.

Uma vitória para o M5S, fundado em 2009 pelo comediante Beppe Grillo, será um duro golpe para o atual primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, do Partido Democrático, demonstrando que o movimento antissistema conseguiu capitalizar a revolta social perante uma série de escândalos de corrupção na política italiana e, em particular, na Câmara de Roma, envolvendo partidos da direita à esquerda.

De acordo com uma sondagem da EMG, a candidata do movimento, Virginia Raggi, deverá alcançar entre 33% e 37% dos votos, seguida do candidato apoiado por Renzi, Roberto Giachetti, que segundo o mesmo inquérito deverá angariar entre 22% e 26% dos votos. Uma outra sondagem, do Instituto Piepoli, antecipa entre 34% e 38% dos votos para Raggi contra 20%-24% para Giachetti.

Se, tal como as sondagens preveem, nenhum dos candidatos conseguir ultrapassar a fasquia dos 50%, a autarquia será disputada numa segunda e última volta a 19 de junho. Se Raggi vencer já hoje ou nessa segunda volta, tornar-se-á na primeira mulher a chefiar a capital italiana.

Numa tentativa de reduzir o impacto dos resultados das autárquicas no seu mandato, numa altura em que tem visto a sua popularidade a decrescer, Renzi declarou ao longo da campanha que estas eleições refletem apenas questões locais e que não têm nem terão repercussões na coligação de governo que lidera.

Para desviar as atenções do plebiscito, o primeiro-ministro tem dedicado os seus discursos públicos ao referendo marcado para outubro no qual toda a população será chamada a pronunciar-se sobre alterações à Constituição; se o seu plano de reduzir os poderes do Senado e de "simplificar os procedimentos legislativos" no parlamento for chumbado, Renzi já prometeu demitir-se.

Em Turim, o atual autarca, Piero Fassino, do partido de Renzi, poderá ganhar já à primeira volta, embora esteja também a ser desafiado seriamente pelo candidato do MoVimento 5 Estrelas.

Em Milão, a capital financeira de Itália, a corrida está ainda mais renhida, com a EMG a antever entre 38% e 42% dos votos para o candidato de centro-esquerda, Giuseppe Sala, seguido do rival de centro-direita, Stefano Parisi, com entre 36,5% e 40,5%, e o Piepoli a prever 41%-45% para Sala e 35%-39% para Parisi.

Em Nápoles, Luigi de Magistris, o ex-procurador e esquerdista que, após ter sido eleito em 2011, declarou a cidade uma "zona livre de Renzi" recandidatou-se como independente e deverá ter de disputar uma segunda volta a 19 de junho com o candidato de centro-direita.

Os resultados parciais das eleições de domingo deverão começar a ser anunciados ao início da tarde desta segunda-feira.