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Multimilionário turco-iraniano quer pagar para ficar preso em casa nos Estados Unidos

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Reza Zarrab fora detido em 2013 na Turquia, mas o caso acabou por cair

Getty

Foi com a família de férias à Disneylândia, nos Estados Unidos, e acabou preso preventivamente. Agora está disposto a pagar a guardas que o controlem 24 horas por dia, para poder permanecer num luxuoso apartamento em Manhattan

Os procuradores norte-americanos argumentam que caso o juiz federal aceite a proposta, apresentada na quinta-feira pelo advogado de defesa de Reza Zarrab, irá permitir que o multimilionário turco-iraniano construa “a sua própria prisão” num luxuoso apartamento em Manhattan, “controlado por uma empresa paga por ele próprio”, criando uma situação de desigualdade perante outros arguidos e sob o risco da sua fuga do país.

Zarrab está preso preventivamente nos Estados Unidos sob a acusação de ter conspirado para violar as sanções económicas contra o Irão.

“As condições propostas para fiança de Zarrab são uma tentativa de obscurecer o risco de fuga através de uma fachada de segurança que está apenas ao alcance de uma minoria tremendamente rica”, referiram.

Zarrab pretende dar uma garantia de 50 milhões de dólares, 10 milhões dos quais em dinheiro e pagar a guardas que o vigiem 24 por dia para poder permanecer em prisão domiciliária, em Nova Iorque, com pulseira eletrónica.

O seu advogado, Benjamin Brafman, alega contudo que a situação não seria inédita, uma vez que anteriormente foi permitido ao financeiro Bernard Madoff, ao multimilionário macaense Ng Lap Seng e ao advogado nova iorquino Marc Dreier, que permanecessem em prisão domiciliária com guardas pagos pelos próprios. “Não é culpa do senhor Zarrab” que outros arguidos não tenham condições para fazer o mesmo, referiu. Ao mesmo tempo, procurou convencer o juiz que o seu cliente é uma homem de família, devoto a causas beneméritas, que não pretende voar para fora do país, pois “tem todo o interesse em limpar o seu nome”.

O comerciante de ouro turco, natural do Irão, foi detido em março após ter chegado a Miami com a mulher e a filha de 5 anos, no âmbito de uma viagem de turismo. Sobre ele recaem as acusações de entre 2010 e 2015 ter estado envolvido, com outras duas pessoas, em transações de milhões de dólares em nome do regime do Irão e de entidades daquele país para escapar às sanções norte-americanas.

O caso tem tido grande destaque nos media turcos, onde Zarrab fora preso em 2013, conjuntamente com diversos membros do governo, sob as acusações de ter subornado responsáveis oficiais para facilitarem negócios com o Irão. O Presidente turco, Tayyip Erdogan, na altura primeiro-ministro, disse então que as acusações surgiam no âmbito de conspiração montada pelos seus adversários políticos. Diversos procuradores vieram a ser afastados, investigadores policiais demitiram-se e a acusação acabou por cair.

Os procuradores norte-americanos dizem o que sucedeu na Turquia mostra a capacidade que Zarrab teve para “para causar toda uma reorganização da procuradoria turco e do departamento de polícia através de subornos” para escapar às malhas da justiça. Acrescentando que a sua enorme fortuna (pelas suas estimativas os seus negócios rendem anualmente 11 mil milhões de dólares, para além de possuir um avião, diversas casas e iates) aumentam os riscos de que tente fugir do país.