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Internacional

Mais uma suspeita de crime no Governo de Temer

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Fátima Pelaes com Michel Temer esta terça-feira

BETO BARATA/ PRESIDENCY OF BRAZIL/ HANDOUT

Fátima Pelaes, a nova Secretária de Políticas para as Mulheres, é investigada pelo Ministério Público Federal por “associação criminosa”

Nomeada terça-feira mas sem ainda ter tomado posse, a ex-deputada pelo PMDB Fátima Pelaes é alvo de investigação pelo Ministério Público Federal por “associação criminosa” para desviar 4 milhões de reais (cerca de um milhão de euros).

A notícia é do “Folha de São Paulo” e cita também um relatório Procuradoria-Geral da República sobre o envolvimento de Pelaes na operação Voucher, entretanto desmantelada pelas autoridades em 2011. De acordo com o “Folha”, Fátima Pelaes indicou a Ibrasi, uma ONG fantasma, para receber 4 milhões de reais das emendas por si aprovadas para promoção do turismo no Estado de Amapá.

“Toda essa articulação criminosa contou com a participação da deputada federal Fátima Pelaes, que constantemente se reunia com funcionários do Ministério do Turismo” para agilizar a libertação das verbas do convénio” , lê-se no pedido da PGR para abrir o inquérito em novembro de 2012, citado pelo jornal. O caso foi enviado para o Supremo Tribunal Federal devido ao foro privilegiado de Pelaes. O jornal adianta que Pelaes respondeu por meio dos seus acessores que “está tranquila e de que tudo será esclarecido”.

Evangélica e contra o aborto

Fátima Pelaes poderá ser mais uma escolha desastrada do presidente interino Michel Temer, com seis ministros envolvidos na Lava Jato.

Quando os ecos da violação coletiva de uma menor no Rio de Janeiro ainda se fazem sentir, Temer escolhe para a Secretaria de Política para as mulheres, uma ex-deputada evangélica, conhecida por ser publicamente contra o aborto mesmo em caso de violação. Por outro lado, Michel Temer está também a tentar emendar o facto de ter o único governo de toda a América Latina em que não existe nenhuma mulher como ministro. O executivo de Temer é exclusivamente masculino e branco, num país em que mais de 51% da população se declara não branca.

Durante a gestão de Dilma Rousseff, a Secretaria para as Políticas das Mulheres tinha um estatuto de ministério, mas no governo interino de Michel Temer está subordinada ao ministério da Justiça e da Cidadania.