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Donald Trump visita o Reino Unido na véspera do referendo ao Brexit

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Elijah Nouvelage

Provável candidato do Partido Republicano às presidenciais norte-americanas diz ser a favor da saída do Reino Unido da UE porque a imigração “foi uma coisa horrível para a Europa”

Donald Trump decidiu antecipar os seus planos de visita ao Reino Unido já com a nomeação do Partido Republicano garantida para 22 de junho, um dia antes do referendo ao Brexit que poderá ditar o fim do casamento entre o país e a União Europeia.

Apesar de ter inicialmente anunciado que ia viajar até ao Reino Unido no dia 24 de junho, quando os resultados da consulta deverão ser anunciados, o magnata do imobiliário antecipou para 22 a viagem até à Escócia para a reinauguração do seu hotel Trump Turnberry, seguindo depois para Aberdeen e no dia seguinte para o seu resort de golfe em Co Clare, na Irlanda.

Esta última viagem vai coincidir com uma visita oficial do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, e com a ida às urnas pelos britânicos para a antecipada consulta ao Brexit — um cenário que Trump já disse apoiar, porque a imigração foi "uma coisa horrível para a Europa".

"Eu conheço a Grã-Bretanha muito bem, eu sei, vocês sabem, o país sabe, tenho muitos investimentos lá e diria que eles ficariam melhor sem [estarem na UE], embora queira que sejam eles a tomar a sua própria decisão", disse em maio em entrevista à Fox News. Já este mês, quando questionado sobre o assunto numa entrevista ao "Hollywood Reporter", o populista xenófobo estranhou inicialmente o termo "Brexit", parecendo não saber do que se falava, para depois resumir a sua opinião: "Ah, sim, penso que devem sair [da UE]."

A notícia da sua viagem ao Reino Unido surgiu na quinta-feira à noite a par de uma outra que dá força à sua candidatura. Depois de ter sido renegado pela maioria dos membros do partido conservador ao longo do processo de primárias, quando Trump ficou sozinho na corrida republicana, vários começaram a alterar a sua opinião garantindo que vão dar-lhe o seu voto na convenção nacional do partido, em julho. Entre eles não se contava Paul Ryan, o republicano que atualmente ocupa o mais alto cargo do partido na oposição — até ontem, quando o máximo representante da maioria republicana na Câmara dos Representantes anunciou o seu apoio oficial ao candidato.

Isto deverá ser suficiente para afastar qualquer possibilidade de golpe interno na convenção de julho, confirmando a nomeação de Trump para disputar a presidência dos EUA a 8 de novembro. A rival do Partido Democrata deverá ser Hillary Clinton, que esta quinta-feira voltou a declarar que a eventual eleição do magnata "perigosamente incoerente" será um "erro histórico".

"As ideias de Donald Trumo não são simplesmente diferentes, são perigosamente incoerentes", declarou a líder da corrida democrata num evento de campanha em San Diego, na Califórnia. "Elas não são sequer realmente ideias, apenas uma série de retóricas bizarras, contendas pessoais e mentiras descaradas. Ele está mais do que nada preparado, o seu temperamento torna-o inapto para assumir um gabinete [Casa Branca] que exige conhecimentos, estabilidade e uma imensa responsabilidade. Ele não pode ter os códigos nucleares, porque é muito fácil imaginar Donald Trump a conduzir-nos para uma guerra só porque alguém o irritou. Não podemos deixá-lo lançar os dados com a América."