Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Cientistas lançam proposta global para criar genoma humano sintético

  • 333

JONATHAN NACKSTRAND

Jef Boeke, do Centro Médico Langone da Universidade de Nova Iorque, e os seus parceiros lançaram iniciativa na revista “Science” para explicar aos cidadãos e contribuintes o que têm a ganhar com a criação de ADN humano em laboratório

Duas décadas depois de se ter descodificado o genoma humano, aprendendo a ler a receita de ADN gravada nos nossos cromossomas, uma equipa de cientistas quer agora começar a escrever essa receita, tendo lançado uma proposta de angariação de fundos para que seja criado um consórcio global de 100 milhões de dólares que permita recriar o genoma humano em laboratório para se entender como funciona e para encontrar maneiras de combater e tratar doenças e salvar vidas.

A proposta foi lançada na revista especializada "Science" por Jef Boeke, do Centro Médico Langone da Universidade de Nova Iorque, e pelos seus colegas de equipa, para explicarem aos cidadãos e contribuintes o que esperam alcançar com a criação do genoma sintético e encorajarem o público em geral a interessar-se pelo tema e a envolver-se na iniciativa.

Há mais de 30 anos que começou a epopeia de sequenciar a totalidade do genoma humano, numa espécie de missão ao estilo da viagem à lua que alcançou a sua primeira vitória em 2003, quando o código foi totalmente sequenciado e publicado. Agora, com os avanços em áreas como a robótica, informática e biologia molecular, os cientistas querem usar esta informação para perceberem a concepção e desenvolvimento dos humanos, bem como aprofundarem os conhecimentos sobre a reprodução e doenças de pessoas mas também de centenas de micróbios, plantas, animais domésticos e de laboratório, répteis e insetos, refere o "The Guardian".

O objetivo é sequenciar o ADN, analisá-lo e editá-lo em laboratório, aproveitando a manipulação de ADN em pequenas quantidades que tem feito parte da indústria de biotecnologia ao longo de décadas mas indo mais longe e alargando o espetro da investigação, para entender como funcionam organismos complexos, com o apoio do público e enquadrados por regras de ética e legais que devem fazer parte da sintetização do genoma humano.

O objetivo, sublinha a equipa, não é criar um humano em laboratório, antes perceber como é que os genes funcionam e assim desvendar mistérios sobre a nossa existência e sobre várias doenças que matam milhões de pessoas por ano.

"O maior benefício [de investir no projeto] é alargar o entendimento de coisas como a estrutura de cromossomas e como é que o genoma funciona, um esforço básico de entendimento tal como a sequência do genoma humano nos trouxe uma enorme quantidade de informação e algumas surpresas", diz Susan Rosser, uma das signatárias da proposta, que dirige o instituto de biologia sintética na Universidade de Edimburgo. "Não estamos de todo a falar de produzir humanos, estamos simplesmente a falar de linhas celulares e bocados de ADN."