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Fallujah já fez tombar mais de 130 soldados iraquianos

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Soldados iraquianos nas imediações da cidade iraquiana de Fallujah

NAWRAS AAMER/EPA

As tropas governamentais que cercam Fallujah há uma semana e meia têm sido alvo de atentados à bomba. Cinquenta mil civis encurralados, e em situação de risco, aguardam uma oportunidade para escapar

Pelo menos 130 soldados iraquianos foram mortos durante uma série de ataques do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) perto da cidade de Fallujah, na província de Anbar.

Durante a madrugada de quarta-feira dez bombistas suicidas fizeram-se explodir na cidade de Kubaisah, antes de atacarem Al Sejar, uma aldeia situada nas proximidades. Uma coluna militar do exército iraquiano sofreu um atentado com bombas que foram colocadas à beira da estrada, disseram fontes militares à Al Jazeera.

Ao longo de mais de uma semana de operações para recuperar Fallujah, situada a 50 quilómetros de Bagdade, o exército iraquiano não conseguiu entrar no centro da cidade.

O comandante das operações, o tenente-general Abdelwahab al-Saadi, confirmou à mesma estação noticiosa que o exército iraquiano abrandou a ofensiva, e ainda se encontra às portas de Fallujah.

O Governo iraquiano, por seu lado, culpou o Daesh pelo passo lento da investida militar, acusando os jiadistas de estarem a usar escudos humanos e a impedir os civis de abandonarem a cidade.

“Teria sido possível terminar a batalha rapidamente se proteger civis não fosse uma das bases do nosso plano”, afirmou o primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi.

Desde que a operação teve início, a 22 de maio passado, os comandantes iraquianos reclamam ter morto dezenas de combatentes do Daesh, mas continuam hesitantes em divulgar o número de baixas nas suas fileiras.

Fallujah desespera por ajuda humanitária

O número de mortos está longe de ser preciso, mas as forças de segurança iraquianas contaram, até ao momento, pelo menos 70 combatentes xiitas mortos, “talvez um pouco mais”. Responsáveis do exército em Basra fizeram saber que 26 combatentes xiitas daquela cidade perderam a vida.

Desde segunda-feira, dois dos hospitais de Bagdade receberam 27 feridos, segundo relatos difundidos pela AFP.

Mais de 50 mil pessoas permaneciam, esta quinta-feira, impedidas de deixar o centro de Fallujah, que começa a debater-se com a escassez de água e alimentos.

A situação complica-se a cada dia que passa. À cidade não chega qualquer tipo de ajuda humanitária desde setembro passado e os habitantes têm sobrevivido através da ingestão de tâmaras e animais, e bebendo água insalubre do rio Eufrates.

A representante da missão de assistência das Nações Unidas para o Iraque, Lise Grande, declarou que “há uma intensa privação de alimentos, há meses que não entram medicamentos em Fallujah”. “Estamos preocupados que possa surgir uma epidemia de cólera”, lamentou.

Fallujah, a par de Mossul, é uma das grandes cidades iraquianas que ainda continua nas mãos do Daesh.