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24 condenados por massacre no estado de Gujarat na Índia

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Alguns dos condenados por envolvimento no massacre de Gujarat im 2002

AMIT DAVE/REUTERS

Depois de avanços e recuos, foi finalmente pronunciada a sentença para os culpados do massacre de 69 muçulmanos durante os festivais religiosos em 2002

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Vinte e quatro pessoas foram condenadas esta quarta-feira por um tribunal indiano pelo massacre da Sociedade Gulberg ocorrido durante os tumultos religiosos há 14 anos no estado de Gujarat. As sentenças serão anunciadas na próxima semana.

O juiz considerou os 24 - 11 foram condenados por crime - culpados de matar à machadada e queimar vivos 69 muçulmanos que se encontravam recolhidos num complexo residencial da cidade de Ahmedabad, no estado que era na altura governado pelo atual primeiro-ministro, Narendra Modi. Outras 100 pessoas já tinham sido condenadas, incluindo um dos ministros estatais da altura, preso por instigação à violência, como noticia o diário britânico “The Guardian”.

O massacre foi considerado o pior de todos os que ocorreram durante aquela semana de tumultos que fizeram mais de mil mortos. A violência teve origem com a morte de 59 peregrinos hindus num incêndio num comboio cuja responsabilidade foi inicialmente atribuída a muçulmanos. Em vingança, os hindus atacaram bairros muçulmanos provocando a pior matança desde a independência da Índia, em 1947.

Desde 2002 que Modi foi perseguido por grupos de defesa dos direitos humanos que o acusavam de, na altura, ter ignorado a matança. Em 2012, o atual primeiro-ministro foi ilibado na sequência de uma investigação ordenada pelo supremo tribunal.

Apesar do entusiasmo entre as famílias das vítimas que se fez sentir na sala do tribunal quando o juiz anunciou a sentença, outras 36 pessoas foram ilibadas de envolvimento por falta de provas.

Desde 2009, foram ouvidas mais de 300 testemunhas, apesar de o julgamento ter sido entretanto interrompido. O juiz que presidiu ao pronunciamento da sentença foi designado para o caso em novembro de 2014 e foi o quarto que o caso conheceu, escreve o jornal “The Indian Express”.