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Migrantes “devem falar inglês e ter qualificações” para poderem viver no Reino Unido

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Matt Cardy/Getty Images

Depois dos argumentos económicos, defensores do Brexit recorrem ao tema da imigração para angariar eleitores a menos de um mês do referendo que poderá ditar saída da União Europeia. Sondagem divulgada pelo “The Guardian” esta terça-feira dá avanço ao Brexit na consulta de 23 de junho

A campanha britânica "Vote Leave" pela saída da União Europeia, liderada pelo ex-autarca de Londres, Boris Johnson, e pelo atual ministro da Justiça do Reino Unido, Michael Gove, apresentou esta quarta-feira uma estrita proposta de imigração na tentativa de angariar mais apoiantes, garantindo que se o país sair da UE este mês será implementado "um sistema de pontos ao estilo genuíno da Austrália" que ditará que os migrantes que queiram obter visto para viver e trabalhar no Reino Unido sejam obrigados a aprender inglês e a ter qualificações de emprego.

Galvanizados pela divisão e dúvidas entre o eleitorado que apoia o Partido Trabalhista (na oposição) e sobretudo por uma recente sondagem do "The Guardian" que prevê a vitória do Brexit no referendo de 23 de junho, Johnson e Gove tinham assinado, na terça-feira, um artigo de opinião no tablóide "The Sun" onde garantiam que, fora da UE, os contribuintes britânicos vão poupar um total de 2,6 mil milhões de euros nas contas de eletricidade. Hoje, viraram-se para a imigração, emitindo um comunicado coassinado pela parceira conservadora e atual ministra do Emprego, Priti Patel, e pela trabalhista Gisela Stuart, onde apresentam as regras que pretendem implementar caso o Brexit saia a ganhar da consulta popular dentro de 22 dias.

O comunicado representa o primeiro grande passo no sentido de políticas práticas pela Vote Leave e uma provocação e desafio à autoridade de David Cameron, o primeiro-ministro conservador que é um dos principais defensores da permanência do Reino Unido no bloco europeu — e que, se o Brexit vencer, deverá abandonar a liderança do Governo britânico.

No documento, os quatro políticos dizem que o sistema de imigração delineado ao estilo do da Austrália é a única forma de "restaurar a confiança pública nas políticas de imigração", pondo fim ao "direito automático de todos os cidadãos da UE virem viver e trabalhar no Reino Unido".

"Aqueles que pretendem entrar para trabalhar ou estudar devem ser admitidos com base nas suas qualificações sem discriminação com base na nacionalidade", é apontado no comunicado conjunto. "Para ganharem o direito a trabalhar [no Reino Unido], os migrantes económicos terão de ter competências adequadas ao emprego em questão. Para empregos relevantes, seremos capazes de assegurar que todos os que venham têm a habilidade de falar bom inglês."