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Massacre de Tiananmen. Familiares das vítimas falam em três décadas de “terror branco”

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TENGKU BAHAR/GETTY IMAGES

Apesar de terem passado 27 anos sobre o início da ofensiva militar contra os manifestantes pró-democracia, ainda não se sabe ao certo quantos foram os mortos. Carta aberta de ativistas acusa o Governo de repressão e de tudo fazer para os calar

Numa carta aberta divulgada esta quarta-feira, os familiares das vítimas do massacre de Tiananmen, que aconteceu em 1989, acusam Pequim de os submeter a quase três décadas de “terror branco”, numa tentativa de os impedir de falar sobre o sangrento episódio.

O grupo ativista Mães de Tiananmen denuncia que vários membros da organização foram espiados, detidos e ameaçados por agentes de segurança, mas, apesar da pressão, recusa calar-se. “Não temos nada a temer”, pode ler-se na carta.

Apesar de terem passado 27 anos sobre o início da ofensiva militar contra os manifestantes pró-democracia que se concentravam na praça de Pequim, e também noutras cidades chinesas, num episódio que se acredita ter causado milhares de mortos, o Partido Comunista continua a proibir qualquer evocação da data.

Para evitar que o aniversário seja assinalado no próximo sábado, a polícia mantém-se atenta, conta o jornal “The Guardian”. Pelo menos três ativistas foram detidos em Pequim, na madrugada de terça-feira, após participarem numa cerimónia evocativa onde foram fotografados com uma faixa com a inscrição: “Não esqueça as feridas do país”.

Por outro lado, Ding Zilin, fundadora do movimento Mães de Tiananmen e atualmente com 79 anos, terá sido forçada pelas autoridades a manter-se em casa. Em 1989, ela perdeu o seu filho, de 17 anos, baleado no coração.

Até hoje, nenhuma investigação pública sobre o massacre foi realizada, desconhecendo-se o real número de mortos.