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Coreia do Norte elogia “sabedoria” de Donald Trump

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carlo allegri/reuters

Analistas dizem que, apesar de o editorial do “DPRK Today” não corresponder a políticas oficiais do regime de Kim Jong-un, muito provavelmente reflete a postura do líder norte-coreano em relação às presidenciais dos EUA

Numa altura em que Donald Trump continua a subir nas sondagens de intenção de voto nacionais para as presidenciais de novembro, e que vários especialistas estão a alertar para a necessidade de não se minorizar as possibilidades do magnata populista vencer esse plebiscito, a sua candidatura ganhou mais um apoio, desta feita da Coreia do Norte.

Num editorial do jornal estatal "DPRK Today", o provável candidato presidencial do Partido Republicano é apresentado como um "político sábio" que pode ser bom para Pyongyang — com o autor do artigo, Han Yong-mook, descrito como um "investigador académico chinês norte-coreano", a dizer que as propostas políticas de Trump tornariam a sua visão "Yankees Go Home" uma realidade, em referência à presença de tropas americanas no vizinho a sul.

Recentemente, o populista xenófobo, que surpreendeu muitos ao conseguir afastar todos os rivais republicanos da corrida à nomeação de um partido ao qual não pertence, disse estar disposto a encontrar-se com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, sublinhando que, se for eleito, irá retirar as tropas norte-americanas da Coreia do Sul.

Quando sugeriu que, se for eleito, vai reunir-se com o líder norte-coreano, o embaixador do país em Genebra, So Se Pyong, disse à Reuters que essas declarações eram uma "espécie de propaganda ou publicidade" do candidato norte-americano para "utilização nas eleições presidenciais". Questionado pela agência sobre um possível encontro entre Trump e Kim, o representante diplomático respondeu: "É uma decisão do meu Supremo Líder se quer encontrar-se ou não, mas penso que a conversa [de Trump] é um disparate."

Analistas citados pela BBC dizem que, apesar de o editorial do "DPRK Today" não corresponder a políticas oficiais do regime norte-coreano, muito provavelmente reflete a postura de Pyongyang e do Governo de Kim sobre os candidatos presidenciais. "É certo que não é exatamente Pyongyang a falar, mas é certamente Pyongyang a atirar o barro à parede, a testar as águas", escreveu Aidan Foster-Carter, da Universidade de Leeds, no portal "NK News".

No mesmo editorial, Han Yong-mook diz que os norte-americanos devem rejeitar uma Hillary Clinton "aborrecida" nas urnas e que, em vez dela, devem escolher Trump, sobretudo por causa da sua postura de não-interferência no conflito da península coreana. "No dia em que o slogan [Yankees Go Home] se tornar real, esse será o dia da unificação coreana", sublinha o autor.