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Comboios franceses em greve por tempo indeterminado

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Trabalhadores da companhia estatal de caminhos de ferro, SNCF, bloqueiam a entrada da refinaria de Donges

STEPHANE MAHE/REUTERS

No dia em que as sondagens para as presidenciais apuram apenas 14% de aprovação a François Hollande, a companhia de caminhos de fero começa um movimento de greve ilimitada

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Respondendo a um apelo dos sindicatos (Confederação Geral do Trabalho, SUD e União Nacional dos Sindicatos Autónomos) a companhia de caminhos de ferro francesa - SNCF - deu início à meia-noite desta quarta-feira um “movimento de greve ilimitada”, noticia o diário “Le Monde”.

O risco de embaraço para o Governo é sério uma vez que o movimento se arrisca a provocar uma considerável disrupção nas cidades francesas. A AFP noticia o caos nos transportes apenas a nove dias de distância do início do Euro 2016. Calcula-se que entre 30% e 50% dos comboios parem a partir desta quarta-feira na que será a oitava paralização do setor nos últimos três meses. Desta vez, os comboios não voltarão ao ativo até que os trabalhadores tenham garantidas melhores salários e condições de trabalho, garantem fontes sindicais.

Até ao final desta semana, juntam-se aos caminhos de ferro os grevistas do metropolitano da capital e os pilotos da Air France. Na origem das paralizações está a lei do trabalho proposta pelo Governo que prevê alterações ao regime consideradas inaceitáveis pelos sindicatos.

A contestação à lei do trabalho abrange seis refinarias em oito, que estão paradas ou a trabalhar ao ralenti, declaram fontes da CGT-Petról citada pelo “Le Monde”. Está programado para 14 de junho uma jornada de ação nacional contra o projeto de reforma do código de trabalho.

A pressão aumenta sobre o cada vez menos popular Governo socialista. Uma sondagem revelada esta quarta-feira dá apenas 14% de aprovação a François Hollande, o Presidente de um país em estado de emergência desde meados de novembro do ano passado. O Governo mantém-se firme, “Recuar seria um erro político”, declarou o primeiro-ministro, Manuel Valls, depois de François Hollande ter assegurado, nas colunas do “Soud Ouest”, que o projeto “não [seria] retirado”.