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20 mil crianças em risco de serem atingidas em Fallujah

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REUTERS

A UNICEF alerta que um desastre humanitário poderá ocorrer durante os combates em curso pela reconquista de Fallujah ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh), com a população impedida de abandonar a cidade e a ser utilizada como escudo humano

A UNICEF alertou esta quarta-feira que um desastre humanitário poderá estar prestes a acontecer em consequência dos combates pela reconquista de Fallujah ao Daesh. Pelas contas desta agência das Nações Unidas, cerca de 20 mil crianças estarão encurraladas juntamente com as suas famílias na cidade iraquiana.

Apesar de grande parte da população ter já anets abandonado a cidade, estima-se que cerca de 50 mil civis ainda lá permaneçam.

A ONU já havia indicado que centenas de famílias estão a ser usadas como escudo humano no centro de Fallujah, uma estratégia que já foi usada noutro locais, e frisa agora que as crianças correm também o risco de serem forçadas a combater pelo Daesh.

“Crianças recrutadas à força para os combates veem as suas vidas e o seu futuro desperdiçado, forçadas a usar armas e a combater numa guerra de adultos”, refere o comunicado da UNICEF.

A organização apela às tropas iraquianas e aos militantes do Daesh para que “protegam as crianças dentro de Fallujah” e para que “assegurem corredores seguros para aqueles que desejem abandonar a cidade”.

“Uma catástrofe humana está iminente em Fallujah. Famílias são apanhadas entre o fogo cruzado sem nenhuma saída segura”, disse por seu turno Jan Egeland, secretário-geral do Concelho Norueguês para os Refugiados, uma das organizações que apoia as famílias que conseguiram abandonar a cidade. “Todas as partes em conflito devem garantir a saída dos civis agora, antes que seja demasiado tarde e mais vidas sejam perdidas”, acrescentou.

Na semana passada 3700 pessoas conseguiram escapar de Fallujah. Os responsáveis da ONU indicaram que estes civis vieram sobretudo dos arredores, uma vez que os que se encontram dentro da cidade estão cercados, portanto, impedidos de partir.

Uma semana depois do início do ataque, tropas iraquianas avançaram na segunda-feira em grande número até aos arredores da cidade, com o apoio de bombardeamentos dos Estados Unidos.

Responsáveis norte-americanos indicam que a reconquista da cidade deverá demorar tempo a ser concretizada.

Fallujah foi a primeira grande cidade iraquiana a ser tomada pelo Daesh, sendo atualmente a segunda maior sob seu controle e a mais próxima de Bagdade. É dali que se pensa terem partido diversos ataques suicidas contra a capital, situada a 65 quilómetros de distância.

O principal hospital da cidade indicou que 32 civis foram mortos na segunda-feira. As organizações humanitárias não estão presentes no interior de Fallujah, mas estão a montar campos no exterior para receber aqueles que conseguirem sair.