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Internacional

Na história do gorila e do menino que caiu à sua jaula, quem tem razão?

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CINCINNATI ZOO/EPA

Jardim Zoológico de Cincinnati já veio defender o abate do espécimen raro no passado sábado, sob o argumento de que tinha de proteger a criança de três anos. Mas há cada vez mais críticos a defender que Harambe, o gorila, estava a proteger e não a atacar o menino

O fatídico incidente aconteceu no passado sábado, no Jardim Zoológico de Cincinnati, no estado norte-americano do Ohio: enquanto a família Gregg se passeava pelo espaço, o filho de três anos debruçou-se sobre o muro ao redor da jaula a céu aberto de um gorila em vias de extinção e caiu na vala. Vídeos mostram Harambe, o gorila de 17 anos e com 220 quilos, a aproximar-se da criança assim que a vê cair na jaula, arrastando-a pela água — no que várias pessoas defendem ser uma ação para proteger o menino. O episódio durou menos de dez minutos e culminou com o abate do animal pelos funcionários do zoo.

O caso está a alimentar controvérsia nas redes sociais, com muitos utilizadores a apoiarem a decisão do zoo em matar Harambe mas com muitos mais a condenarem a ação, através do movimento "Justiça para Harambe", que já conta com mais de 113 mil seguidores no Facebook. Todos criticam o facto de a equipa do zoo não ter recorrido a dardos tranquilizantes antes de decidirem acabar com a vida do animal, pertencente a uma espécie de gorilas ameaçada; muitos outros aproveitaram para relançar o debate sobre se faz sentido manter animais em cativeiro nos zoos espalhados pelo mundo para gáudio do ser humano.

Nos últimos dias, a polícia de Cincinnati deu a entender que a mãe da criança pode enfrentar acusações criminais por não ter mantido o filho debaixo de olho, evitando que caísse à vala do gorila. Também no Facebook, Michelle Gregg publicou um curto texto onde se defende e à equipa do zoológico, reduzindo o incidente à máxima: "Os acidentes acontecem".

Citado pela CNN, o diretor do zoo, Thane Maynard, declarou que os funcionários agiram como tinham de agir e que nada faria alterar a decisão de abatar Harambe, o gorila de dorso prateado. Quem defende que o animal ia proteger a criança "não conhece os gorilas" desta espécie, defendeu numa conferência de imprensa.

"A vida daquela criança estava em perigo. As pessoas que questionam [a nossa decisão] não compreendem que não se pode correr riscos com um gorila de dorso prateado — é um animal perigoso", defendeu Maynard. "Olhando para trás, tomaríamos a mesma decisão. A criança está a salvo."

O menino de três anos foi transportado para o hospital, onde foi tratado a ferimentos provocados pela queda, e está fora de perigo.