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Família do motorista assassinado por um drone junto com líder dos talibãs vai processar os EUA

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AFP/Getty

Afirmam que Muhamad Azam não era um militante, apenas um homem pobre que se encontrava a trabalhar

Luís M. Faria

Jornalista

No passado dia 21, um drone atingiu um carro onde seguia Mullah Akhtar Mansour, líder oficial dos talibãs desde o ano passado, matando-o instantaneamente. O ataque ocorreu na província paquistanesa do Baloquistão, próximo da fronteira com o Irão, e foi publicamente assumido pelos Estados Unidos, ao contrário do que é habitual nesses casos. Agora a família do condutor do carro, igualmente morto na altura, anunciou que vai processar os autores do ataque.

O condutor, de nome Muhamad Azam, “era muito pobre e deixou quatro crianças. Era o único ganha-pão da família”, disse o seu irmão à AFP. “O meu objetivo é provar a inocência dele, pois está a ser retratado como um militante, mas era apenas um motorista”. A queixa apresentada lembra que as autoridades americanas reconheceram ter tido responsabilidade, e exige justiça.

Ao que parece, Mansour circulava com documentos de identificação onde era referido como Muhamad Wali. O irmão de Azam, Muhamad Qasim, garante que ele se limitou a efetuar um serviço de transporte, sem saber quem era o cliente.


Um acordo tácito?

Entretanto, o ministério do Interior paquistanês já reconheceu que era de facto Mansour o passageiro do carro. “Foi identificado após um teste de ADN que mostrou uma concordância com um parente próximo de Mansour, que veio de Paquistão ao Afeganistão para levar o corpo”.

O ataque foi invulgar por ter acontecido fora das zonas tribais, ou seja, aparentemente ao arrepio de um alegado acordo tácito (jamais admitido oficialmente, mas bastante plausível, até por fugas de informação que têm apontado nesse sentido) entre os EUA e o Paquistão. Nos termos do acordo, os americanos gozariam de liberdade de ação em certas partes do país, e apenas nessas.

Islamabad já condenou o ataque como uma violação da sua soberania, mas John Kerry, o secretário de Estado norte-americano, disse que tanto o governo afegão como o paquistanês foram notificados. Não esclareceu quando.