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Expresso

Internacional

Salvamento de 20 migrantes no Canal da Mancha cria receios de novas tragédias

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As autoridades britânicas e francesas temem que o aumento do controlo no Túnel da Mancha leve os migrantes a tentar entrar no país em embarcações precárias. Isso poderia causar tragédias como as que continuam a suceder no Mediterrâneo, onde devem ter morrido afogados pelo menos mais 700 migrantes na semana passada

O salvamento de 20 pessoas (18 albaneses e 2 britânicos) resgatados na madrugada de domingo junto à costa do condado inglês de Kent, levanta receios às autoridades britânicas. Depois de os migrantes terem deixado de entrar no Reino Unido através do Túnel da Mancha ou nos ferries que fazem a travessia a partir de França, devido ao reforço dos sistemas de segurança, começam agora a tentar entrar em embarcações precárias, dando lugar a tragédias como as que se continuam a verificar no Mediterrâneo.

As 20 pessoas resgatadas, entre as quais uma mulher e duas crianças, encontravam-se numa embarcação insuflável que estava a afundar-se. O alerta inicial foi dado pelas autoridades francesas, que contactaram a Guarda Costeira britânica. Um helicóptero e duas embarcações de salvamento iniciaram as buscas.

“Começa a tornar-se uma situação muito semelhante à que temos assistido no Mediterrâneo e o meu maior receio é que o Canal se torne cenário de afogamentos como os que têm acontecido no Mediterrâneo, à medida que os migrantes e refugiados continuam a deslocar-se para o noroeste da Europa”, afirmou no domingo o chefe da Guarda Costeira francesa, Bernard Barron.

“[Os traficantes de seres humanos] operam ao longo das costas, tanto da França como da Bélgica, desde Ostende até à Normandia, encontrando novas posições a partir das quais possam mandar os seus clientes – migrantes – para Inglaterra”, acrescentou, em declarações ao diário “The Guardian”. No mês passado, dois homens iranianos já tinham sido encontrados num bote no canal.

Morte no Mediterrâneo

Na semana passada, pelo menos mais 700 pessoas devem ter morrido afogadas no Mediterrâneo, indica o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. As mortes terão ocorrido em três incidentes distintos, que tiveram lugar na quarta, quinta e sexta-feira, após mais de 13 mil pessoas terem saído da Líbia tentando chegar a Itália através do Mediterrâneo.