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Daesh prestes a perder o controlo de Fallujah

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NAWRAS AAMER / EPA

Na manhã desta segunda-feira as tropas iraquianas, com a ajuda das forças norte-americanas, começaram a operação de recuperação de Fallujah, a cidade que está há mais tempo sob o controlo do autoproclamado Estado Islâmico

Inês Rosado

Depois de uma semana a tentar entrar na cidade controlada pelo Daesh, as tropas iraquianas, ajudadas por militares norte-americanos, conseguiram finalmente, na manhã desta segunda-feira, recuperar parte de Fallujah. O comandante das forças iraquianas, general Abdul Wahab Al Saadi, disse ao jornal "The Daily Telegraph" que a ofensiva das tropas iraquianas foi feita por terra e com ajuda aérea "das forças internacionais, da força aérea iraquiana e com apoio de artilharia e tanques".

Conquistada pelo autodenominado Estado Islâmico em 2014, Fallujah é estratégica para os extremistas. Não se espera que o Daesh abdique facilmente da cidade. O general Abdul Wahab Al Saadi considera que o Daesh "irá lutar até ao fim."

Na eminência de perder Fallujah, o Estado Islâmico vê-se obrigado a recuar para Mossul, cidade que é mais importante para os seus interesses, estratégica e financeiramente, do que Fallujah e Ramadi. A reconquista de Mosul pelo Iraque tornar-se-á, então, tarefa mais complicada. Em resposta a esta investida o Daesh já reivindicou uma série de ataques suicidas ocorridos nos arredores de Bagdade, que mataram mais de vinte pessoas.

Civis no interior da cidade podem ser usados como escudos humanos

O único medo das tropas iraquianas é que os cerca de 50 mil civis que vivem na cidade sejam usados pelo Daesh como escudos humanos. O primeiro-ministro do Iraque, Haider Al-Abadi, falou em direto para a televisão estatal e recomendou aos habitantes que ainda estão presos em Fallujah que abandonem a cidade ou permaneçam no interior das suas casas. Alguns já começaram a sair clandestinamente, como foi anunciado pelo Alto Comissariado dos Refugiados pelas Nações Unidas, que referiu que cerca de 800 civis fugiram nos últimos dias, a pé ou através de tubos de irrigação.

Um dos xeques da cidade contou a "The Daily Telegraph" que muitos dos que tentam fugir e são capturados pelo Daesh acabam fuzilados em praça pública. Também uma mãe, que conseguiu fugir com o marido e os seis filhos, contou: "Quando o ataque sobre Fallujah começou, o Daesh obrigou-nos a sair das nossas casas e a entrar casa em casa, estivessem elas danificadas ou abandonadas. Durante esse tempo éramos expostos às investidas das tropas iraquianas".

O comandante das tropas norte-americanas, general Sean McFarland, avisou que, mesmo que Fallujah seja recuperada, pode haver represálias por parte dos habitantes locais, algo que foi suportado por Aymenn al-Tamimi, especialista em questões políticas do Médio Oriente: "Sabemos que há apoio público ao Daesh em Fallujah, mas é difícil saber as proporções. Haverá mais resistência ao governo iraquiano em Fallujah do que houve em Ramadi".