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11 carros de luxo para quatro esposas oficiais. Mais uma extravagância de Jacob Zuma

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Brendan Smialowski/GETTY

Numa altura em que a crise atinge a economia sul-africana, é difícil justificar as extravagâncias do Presidente

Luís M. Faria

Jornalista

Dois Land Rover Discovery SUV, quatro Range Rover SUV e cinco Audis de luxo. São estas as onze viaturas que o ´Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, mandou comprar para as suas quatro esposas utilizando dinheiro público. O valor total foi o equivalente a mais de 500 mil euros, uma soma espantosa para uma nação ainda extremamente desigual e que atravessa, como tantas outras, consideráveis problemas económicos. Mas o Presidente defende-se – por via indireta, através do ministro das polícias, Nkoshnathi Nhleko – alegando que os carros visam "providenciar proteção completa para as esposas de VIP".

Zuma, atualmente com 74 anos, lidera o ANC desde 2007. A polémica agora surgida está longe de ser a primeira em que se vê envolvido relacionada com dinheiro. Ao mesmo tempo que preconiza uma política de austeridade para enfrentar as dificuldades presentes, Zuma dá o exemplo contrário. Na sua residência particular, fez obras sumptuárias que oneraram o erário público em milhões. No mês passado, o Tribunal Constitucional confirmou que ele tem de cumprir a ordem de devolver cerca de 14400000 euros. Mas Zuma resiste, disponibilizando-se apenas a entregar dinheiro gasto em aspetos que não são de segurança.

Apenas um golpe político?

Além de Zuma, outros governantes e membros do ANC também são criticados pelos seus estilo de vida que o Estado financia. Caso recente foi o de um ministro junior que se instalou com a família, durante três meses, num hotel de luxo em Pretória. Custo final: mais de 26 mil euros.

Por causa dos protestos, o Presidente viu-se agora obrigado a ordenar um exame à despesa efetuada com os carros. Mas o seu porta-voz diz que o exame tem a ver unicamente com "um clima económico muito difícil". Com o crescimento em baixa, cada vez há menos paciência para as extravagâncias de um Presidente que, valendo-se de uma tradição poligâmica comum na sua etnia Zulu mas cada vez mais rara no país, impõe à generalidade dos cidadãos um nível de despesa que parece difícil de justificar.
Com eleições locais em agosto, o ANC tenta limitar a escala das perdas que a generalidade dos analistas lhe anuncia. E, claro, sugere que a questão com os carros é apenas um golpe político...