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OMS rejeita apelo de especialistas para adiar Jogos Olímpicos

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CARLO ALLEGRI/Reuters

Mais de 100 especialistas em saúde pública, bioética e pediatria, de mais de 20 países, pediram, numa carta aberta enviada a Organização Mundial de Saúde, o adiamento ou a mudança de local dos Jogos Olímpicos, devido à forte possibilidade de o vírus Zika se espalhar ainda mais

Helena Bento

Jornalista

A Organização Mundial de Saúde (OMS) rejeitou o apelo de um grupo de especialistas de mais de 20 países, que numa carta aberta enviada à agência de saúde das Nações Unidas pediram o adiamento ou a mudança de local dos Jogos Olímpicos, devido à forte possibilidade de o vírus Zika se espalhar ainda mais. De acordo com a OMS, a medida “não iria alterar significativamente” a evolução do vírus, pelo que “não há nenhuma justificação de saúde pública” para tal acontecer.

"Com base na avaliação atual, cancelar ou alterar a localização dos Jogos Olímpicos de 2016 não iria alterar significativamente a evolução do vírus. O Brasil é um dos quase 60 países e territórios onde foi registada a transmissão do vírus através da picada de mosquitos, e as pessoas continuam a viajar entre esses países e territórios por diversas razões. A melhor forma de reduzir os riscos de doença é seguir os conselhos de saúde pública”, assegura a organização num comunicado divulgado este sábado no seu site.

Em declarações à BBC, Bruce Aylward, diretor do programa de emergência da OMS, informou que já foi adotado um programa de avaliação do vírus Zika e respetivos riscos, mas que “toda a informação disponível até ao momento sugere que os Jogos devem realizar-se”. Adiar os Jogos, acrescentou o diretor, “só iria comprometer o grande esforço que atletas e outras pessoas fizeram para se prepararem para aquele que deverá ser um acontecimento fantástico”.

A posição da Organização Mundial da Saúde é a de muitos outros especialistas da área da saúde. Tom Frieden, citado pelo jornal Público, disse na sexta-feira não haver razões de saúde pública que justifiquem o cancelamento dos Jogos. “O risco não é particularmente alto para as outras pessoas além das mulheres grávidas”, acrescentou o diretor dos Centros para o Controlo e Prevenção de Doença (CDC) dos Estados Unidos. O Governo brasileiro, de resto, diz ter a situação sob controlo, tendo já mobilizado 220 mil militares do Éxercito, Marinha e Força Aérea, assim como 315 mil funcionários públicos.

A carta, divulgada na sexta-feira à noite com a assinatura de 150 especialistas em saúde pública, bioética e pediatria, cita vários estudos científicos que sugerem que o vírus Zika está associado ao nascimento de bebés com deformações congénitas graves, como a microcefalia. O Brasil é o país mais afetado pelo vírus, que em pouco tempo se propagou a quase toda a América Latina. Entre fevereiro e abril deste ano, registaram-se mais de 90 mil casos de infeção por Zika no Brasil, e até abril tinham nascido mais de quatro mil bebés com malformações associadas ao vírus, segundo números da BBC.

O Zika, que se transmite pela picada do mosquito Aedes aegypti e também por via sexual, está também associado à síndrome de Guillain-Barré (SGB) - uma doença rara que afeta o sistema nervoso e pode causar paralisia temporária. Só no Brasil, houve 1708 casos desta síndrome em 2015, mais 19% do que em 2014.