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Detido suspeito de participar em violação coletiva de menor no Brasil

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VANDERLEI ALMEIDA/AFP/Getty Images

Caso está a chocar o Brasil e a comunidade internacional. Jovem de 16 anos terá sido violada por pelo menos 30 homens numa favela do Rio de Janeiro. Crime só se tornou conhecido há dois dias, depois de ter sido divulgado nas redes sociais um vídeo da agressão, com imagens da adolescente nua e inconsciente, a sangrar

Helena Bento

Jornalista

A Polícia Militar brasileira deteve este sábado um homem suspeito de ter participado na violação coletiva de uma adolescente de 16 anos, no Morro da Barão, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Ao entrarem na favela, os 70 agentes de sete batalhões que participaram na operação foram recebidos a tiro. O confronto terá sido breve e não fez vítimas. Ainda não é conhecida a identidade do indivíduo que foi detido, mas a polícia suspeita que ele tinha sido um dos 30 homens que, na semana passada, violou uma menor de 16 anos.

O caso só se tornou conhecido há dois dias, depois de ter sido divulgado nas redes sociais um vídeo da agressão, com imagens da adolescente nua e inconsciente, a sangrar, enquanto é tocada por um grupo de homens. “Olha onde o trem bala [comboio de alta velocidade] passou”, diz um deles, depois de abrir as pernas da menor. É o próprio autor da gravação que diz que ela foi violada por pelo menos 30 pessoas.

Em depoimento à polícia, a jovem disse que só se lembra de acordar no domingo (dia 22), drogada e nua, numa casa no Morro da Barão, cercada por cerca de 30 jovens armados com metralhadoras e pistolas. Foram já ouvidas três pessoas que estiveram com ela na noite do crime, incluindo o ex-namorado, Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, que terá levado a jovem para sua casa, também na favela, depois de os dois se terem encontrado num baile de funk - é pelo menos esta a versão da adolescente, contada à polícia.

Segundo o jornal “Estadão”, o ex-namorado já negou que tenha havido crime. Na sua opinião, tudo não terá passado de uma invenção da jovem para justificar aos pais a existência daquele vídeo.

O crime está a chocar o Brasil e gerou uma onda de contestação nas redes sociais brasileiras. A “hashtag” #EstuproNuncaMais inundou o Twitter, tendo alcançado os primeiros lugares da lista de assuntos mencionados tanto no Twitter brasileiro como no Twitter mundial. Dilma Rousseff e Michel Temer, Presidente interino do Brasil, que assumiu o cargo a 12 de maio, já condenaram a agressão - o Presidente anunciou, aliás, que vai criar um departamento especial na Polícia Federal para combater a violência dirigida às mulheres.

Também a ONU condenou o crime. Recordando um caso semelhante ocorrido recentemente no estado brasileiro de Piauí, onde uma jovem de 17 anos foi amarrada, amordaçada e agredida sexualmente por cinco homens, as Nações Unidas pediram para não se incorrer no erro de culpar as vítimas.

“Além de se tratar de mulheres jovens, os casos assemelham-se pelo facto de as duas adolescentes terem sido atraídas pelos agressores em tramas premeditadas e violentamente atacadas num contexto de drogas ilícitas”, disse a ONU Brasil em comunicado.

De acordo com a Polícia Militar, os agentes que participaram na operação deste sábado contaram com o apoio de um helicóptero, veículos blindados e do batalhão de ação com cães.