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Chefe da investigação egípcia diz que foi detetado sinal de emergência do MS804 da EgyptAir

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Pilotos da EgpytAir estão a participar nas vigílias do Cairo pelas vítimas do voo MS804

KHALED DESOUKI

França enviou esta sexta-feira de manhã um navio da Marinha para o norte da costa de Alexandria a fim de reforçar as buscas pelas caixas negras do Airbus A320 que se despenhou na zona há uma semana

Um navio da Marinha francesa zarpou esta sexta-feira da Córsega para as águas a norte da costa de Alexandria a fim de ajudar nas buscas por mais destroços do voo MS04 da EgyptAir e pelas caixas negras desse Airbus A320, numa altura em que continuam por apurar as causas do desastre de há uma semana.

No início da semana, fontes das autoridades egípcias tinham reforçado a teoria de que o avião terá sido alvo de um atentado terrorista, com base na análise dos restos mortais de alguns passageiros que foram retirados do mar e que, segundo essas fontes, demonstram que houve uma explosão a bordo. Mas essa versão foi rapidamente desmentida pelo chefe da equipa de cientistas forenses egípcios que estão a analisar os destroços já encontrados.

"Tudo o que foi publicado sobre esse assunto é completamente falso, meras presunções que não vieram da Autoridade Forense", declarou Hesham Abdelhamid num comunicado citado pela agência estatal MENA na quarta-feira.

Esta manhã, o chefe da investigação egípcia, Ayman al-Moqadem, foi citado pelo jornal estatal "Al-Ahram" dizendo que já foi detetado um sinal de rádio de um transmissor de localização de emergência do voo (ELT) que normalmente está instalado na traseira do avião, o que, a confirmar-se, poderá ajudar a reduzir a área de buscas pelos destroços e sobretudo pelas caixas negras do MS804.

Os investigadores estão numa corrida contra o tempo para encontrarem esses registos de voo que ajudem a apurar o que provocou a sua queda. Os sinais acústicos que ajudam a localizar com precisão onde estão as caixas negras em águas profundas páram de ser emitidos ao final de cerca de 30 dias.

Reagindo à notícia de que foram registados os primeiros sinais do ELT esta sexta-feira, John Cox, um ex-piloto deste modelo de aviões da Airbus e atual diretor-executivo da organização Sistemas de Operação de Segurança, com sede em Washington, declarou que as autoridades devem agir e reagir com cautela. "Existe uma baixa probabilidade de o ELT ter sobrevivido [ao impacto] e os sinais de rádio não funcionam tão bem debaixo de água como os sinais acústicos", declarou, citado pelo "The Guardian".

O voo MS804 da EgyptAir partiu do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, na noite de quinta-feira, 18 de março, em direção ao aeroporto internacional do Cairo, com sete tripulantes, três membros da segurança da empresa de aviação e 56 passageiros, incluindo um cidadão português, duas crianças e um bebé. Cerca de três horas e 40 minutos após a descolagem, o avião desapareceu dos radares, com os primeiros destroços do Airbus a serem encontrados no sábado. Ontem, centenas de pessoas concentraram-se no centro da capital egípcia numa vigília em honra das vítimas.