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Chefe da diplomacia da Catalunha em Lisboa para debater “situação política” e independência

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JOSEP LAGO

Raül Romeva será o orador principal da conferência “A Situação Política na Catalunha”, que terá lugar na próxima terça-feira, 31 de maio, no ISCTE

O chefe da diplomacia catalã e cabeça-de-lista da plataforma independentista Junts Pel Sí, que venceu as eleições regionais de setembro, vai estar em Lisboa na próxima semana para falar sobre a situação política na Catalunha, numa conferência organizada pelo ISCTE que terá lugar na terça-feira pelas 18h, sob o mote "Manutenção do Statu Quo, Federalismo ou Independência?"

Titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, Relações Institucionais e Transparência da Generalitat da Catalunha, Raül Romeva é o orador principal da conferência académica, que será moderada por André Freire, diretor do Doutoramento em Ciência Política daquela universidade lisboeta, e que contará com os comentários dos especialistas da temática de nacionalismos Filipe Vasconcelos Romão, António Medeiros e José Manuel Sobral.

Apesar de a Junts Pel Sí ("Juntos pelo Sim") — que agrega os partidos Convergência Democrática da Catalunha (CDC), Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), Democratas da Catalunha e o Movimento de Esquerdas — ter angariado o maior número de votos nas eleições locais no final de setembro, não conseguiu angariar votos suficientes para governar sozinha.

A falta de maoiria conduziu a um braço-de-ferro entre os vários partidos que apoiam a independência da Catalunha, no qual os dez deputados eleitos da anticapitalista Candidatura de Unidade Popular (CUP) impediram a reeleição do líder do CDC, Artur Mas, como Presidente do governo regional. Em janeiro, depois de meses de impasse, a Junts Pel Sí e a CUP chegaram a um acordo para evitar novas eleições e assinaram um pacto que viu Mas ser substituído pelo ex-autarca de Girona, Carles Puigdemont, desde então Presidente da Generalitat.

Quando Mas decidiu convocar as eleições regionais para 27 de setembro, afastando-se das restantes regiões espanholas que foram às urnas em junho para tentar comprar mais tempo e apoios à independência, tinha prometido que, se voltasse a vencer com maioria absoluta como aconteceu por duas vezes desde 2011 (quando assumiu a liderança da Generalitat), a Catalunha seria independente de Espanha em 2017.

A sua derrota e afastamento da Presidência vieram confundir a causa separatista catalã, depois de, em novembro de 2014, o governo regional se ter visto forçado pelo governo central de Madrid, com o apoio do Tribunal Constitucional, a transformar o que seria um referendo à independência numa consulta popular não-vinculativa em que ganhou o "sim".

Um ano depois desse plebiscito, em novembro do ano passado, o Parlamento catalão aprovou uma resolução para iniciar formalmente o processo de independência da Catalunha, que os 11 juízes da mais alta instância judicial espanhola anularam no início de dezembro, antes das eleições gerais de 20 de dezembro.