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Cameron rejeita envio de tropas para o terreno sugerido por Tony Blair para destronar o Daesh

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CHUNG SUNG-JUN

Ainda assim, atual primeiro-ministro britânico reconhece que, ao não colocar soldados nos países onde o autoproclamado Estado Islâmico está instalado, a luta torna-se mais difícil

David Cameron rejeitou a proposta de Tony Blair de enviar tropas britânicas para o Iraque e para a Síria a fim de derrotar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), defendendo a atual estratégia em curso de participar nos bombardeamentos aéreos da coligação internacional contra bastiões do grupo extremista como "a política certa", prestando em simultâneo apoio e aconselhamento militar aos grupos que estão a combater os jiadistas no terreno.

No início da semana, o antigo primeiro-ministro do Reino Unido, duramente criticado por ter apoiado os EUA e participado na invasão do Iraque em 2003, insistiu que "uma guerra apropriada no terreno" é necessária para destronar o Daesh, defendendo que "não existe outra forma" de derrotar o grupo e sublinhando que "os ataques aéreos" não são suficientes.

"É preciso ir lá e lançar uma guerra no terreno contra eles", defendeu Blair. "Não estamos a ser honestos com o nosso público se dizemos que é possível derrotar estas pessoas sem nos comprometermos com a sua derrota e com o que é necessário para derrotá-los. A meu ver, é absolutamente fundamental [enviar tropas] porque, se não os vencermos, eles vão vir e atacar-nos. Esta luta também é a nossa luta."

Reagindo à sugestão, o atual chefe do Executivo britânico aproveitou os holofotes na cimeira do G7 na quinta-feira para defender a atual estratégia de bombardeamentos aéreos, ainda que tenha reconhecido que essa é uma política que "leva tempo" a gerar frutos e que a decisão dos aliados de não enviar tropas para o terreno torna a guerra contra o Daesh mais difícil.

"Estamos a trabalhar com as forças de segurança do Iraque, estamos a trabalhar na Síria com grupos da oposição moderados e com as forças curdas e os outros grupos. Isto leva tempo", declarou Cameron no Japão. "Penso que estamos a ser bastante diretos, porque estamos a assumir que vai levar tempo", declarou sobre as acusações de Blair de não estar a ser honesto com a população. "Temos de construir as capacidades no terreno, mas no final de contas penso que esta é a resposta certa."