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Gorbatchev proibido de entrar na Ucrânia

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Adam Berry / Getty Images

Em causa estarão as declarações do último líder da extinta União Soviética, que revelou o seu apoio à decisão russa de anexar a península da Crimeia

“Proibimos Gorbatchev de entrar na Ucrânia durante cinco anos em nome dos nossos interesses de segurança nacional. E na sequência do seu apoio público à anexação russa da Crimeia.” Foi assim que o Serviço de Segurança Nacional da Ucrânia anunciou esta quinta-feira a sua decisão, após as declarações do último líder da ex-União Soviética (URSS) ao “The Sunday Times”.

Mikhail Gorbatchev, de 85 anos, disse no último domingo ao jornal britânico que teria agido de forma idêntica ao Presidente russo Vladimir Putin se estivesse numa situação semelhante. “Foi a coisa certa a fazer”, sublinhou o antigo crítico do Kremlin, que se tornaria num moderado apoiante de Putin. “Eu sempre apoiei a livre vontade das pessoas e a maioria da população da Crimeia queria a anexação à Rússia.”

Segundo o resultado oficial da comissão eleitoral da Crimeia, o referendo, realizado a 16 de março de 2014 na então península ucraniana, contou com uma participação de 82,71% dos eleitores e uma votação de 96,6% a favor da anexação da península à Rússia. O resultado, no entanto, não seria reconhecido pelo Ocidente, nem por alguns analistas de relações internacionais, que defendem que os este foi provavelmente inflacionado. A presença de tropas russas na Crimeia e a ausência de um debate alargado sobre o referendo são igualmente duas razões apontadas para o resultado que levaria à anexação.

Questionado esta semana sobre a possibilidade de ser alvo de uma proibição de entrar na Ucrânia, um porta-voz de o antigo líder, vencedor do Nobel da Paz em 1990, anunciou aos meios de comunicação social a sua reação. “Ótimo, eu não vou lá e não irei lá”, terá dito.